Friday, February 02, 2007

 

Aqui d’el Rei

A comunicação social, nestes últimos tempos, achou um bode expiatório numa Comunidade religiosa que a cidade de Évora bem conhece, pelo seu espírito de trabalho e dedicação aos outros, julgando em praça pública a referida Comunidade, porque uma menina se lembrou de dizer que era mal tratada pelas Irmãs.
É verdade que as crianças precisam de muita atenção, carinho e dedicação, já pela sua idade e fragilidade humana e, aquelas em particular, pelos dramas familiares que assistem e vivem, que levou a Segurança Social a entregá-las ao cuidado daquelas religiosas E tenho sido testemunha que aquelas religiosas vivem quase exclusivamente para as 15 crianças/adolescentes que protegem, acarinhando-as, querendo o melhor para elas, dedicando-se dia e noite, dias úteis e feriados àquelas crianças que lhes foram confiadas. É muito provável que, pelo cansaço físico, pelas birras das meninas, pelas dificuldades que é educar hoje, particularmente pessoas já tão marcadas, que uma vez ou outra, tenham sido mais rijas e lhes tenham mesmo aplicado algum castigo de as não deixar ir brincar ou mesmo ver televisão, mas tudo em nome da educação.
Pergunta-se: em situações idênticas como reagiriam os pais e encarregados de educação?
Pois bem, porque uma menina se lembrou de dizer que é, ou foi, mal tratada por A ou B, eis que o mundo se ajoelha aos pés daquela vítima, sem se importar saber se é verdade ou menos verdade o que a adolescente afirma, para julgar em praça pública uma Comunidade que tem estado ao serviço daqueles que a própria sociedade, a começar pelos pais, abandonaram...
Não estou a dizer que se há erros educativos que não devem ser corrigidos; não estou a afirmar que sempre tiveram o mesmo sorriso para aquelas crianças; não estou a escrever que a sua metodologia pedagógica é intocável. Não.
Quero dizer que há que valorizar as coisas pelo seu real valor. E perante uma afirmação de A ou B se não devam de imediato julgar e condenar, sobretudo quando se não tem poder para tal. O caso foi entregue à justiça. Deixe-se a justiça trabalhar e no final prenunciar-nos-emos sobre este caso...
Por mera hipótese, gostaria de saber caso as religiosas aleguem não ter condições psicológicas para continuar aquele trabalho cansativo e exausto, e entreguem as referidas educandas ao Estado, já que a família não tem condições para as acolher e educar, quem teria coragem para se sacrificar e acolher, ao menos, uma dessas crianças, dedicando-se de alma e coração, dia e noite, aos seus cuidados?
E mais, que pedagogia adoptaria quando as adolescentes fogem da escola, roubam, mentem e fazem tantas traquinices próprias da sua idade e da sua condição social?
Em prole das crianças e por amor à verdade, precisa-se mais coerência.
S.

 

Por que não?

A RTP lançou um concurso a que chamou “Grandes Portugueses”.
Por ironia do destino, ou talvez não, os únicos portugueses escolhidos do século XX foram Fernando Pessoa, Álvaro Cunhal, Oliveira Salazar e Aristides de Sousa Mendes. Depois aparecem D. Afonso Henriques, D. João II, Marquês de Pombal, Infante D. Henrique, Camões e Vasco da Gama.
Independentemente do critério usado para chegar a este resultado, há duas questões que não deixarei de levantar aqui. Primeiro, como é possível ignorar tantos outros portugueses mais mediáticos e de influência maior no final do sec. XX, e evocar dois personagens, por sinal antagónicos e inimigos políticos como Cunhal e Salazar?
A segunda questão é de profunda admiração por já não existirem tabus em relação a certos personagens, como é o caso de Salazar e Cunhal. Há alguns anos atrás, isto não seria possível. E recorde-se a cena ridícula que aconteceu com Cavaco Silva na sua última deslocação à Índia, para evitar encontrar a foto de Salazar numa galeria de fotos...
Não se reconhece cientificidade na selecção destas personagens do concurso, mas não deixa de ser curioso os portugueses falarem de personalidades históricas como os Reis, o Infante, Vasco da Gama e o grande poeta Camões, bem assim Pessoa e Aristides de
Sousa cujo valor bem conhecemos. A nossa admiração é saber os critérios que levaram a escolher Cunhal ligado ao PCP e Salazar de que só se ouviu falar enquanto ditador do Estado Novo.
Seja como for, estas escolhas que valem o que valem, mas não deixa de nos fazer perguntar que qualidades e heroicidades foram identificadas em Cunhal e Salazar. Para já é de realçar o facto de não ser proibido falar seja de quem for. E por que não?

Thursday, January 18, 2007

 

Revisitar o Império

Se há coisas que os portugueses não gostam de falar é do seu passado, do Império que tiveram posse, como se envergonhassem da epopeia que Camões se orgulhou de cantar.
Mentalidades mais ou menos complexadas, afastaram das escolas, dos programas tele- visivos e das conversas de amigos, os feitos que tanto orgulharam os nossos antepassados.
Visitar as ex-colónias, dá dó ver como a cultura portuguesa está abandonada e os marcos lusos vão desaparecendo com o tempo.
Da Índia Goa, Damão e Dio serve o facto de ainda haver muitos indianos com interesse pela língua de Camões e, sobretudo em congressos internacionais, não se inibem de se aproximar dos portugueses e lhes fazerem mil e uma pergunta acerca desta Cultura tão presente ainda no Oriente...
De Macau, fica a lembrança da entrega daquela cidade a Pequim, numa cerimónia única e onde as lágrimas chinesas ajudaram a crescer o rio das Pérolas, por onde as velhas naus portuguesas navegaram até à cidade do Santo Nome de Deus...
Esta semana o Presidente da República seguiu para a Índia com um grupo de portugueses, levando na mira as trocas comerciais e o investimento industrial... A mesma motivação vai levar José Sócrates à China com passagem por Macau. Não sabemos o que vai estar na agenda dos estadistas. É de esperar que mais do que um tratado de negociação de extradição, haja implemento cultural quanto baste, para que a cultura lusa não desapareça daquelas terras onde homens valentes chegaram, quer por interesses económicos, quer para aumentar o império, ou mesmo para difundir a fé cristã... E o mesmo se diga da passagem do Primeiro-Ministro por Macau.
E já agora, porque não se entra em diálogo também acerca de Olivença, a mancha negra das relações diplomáticas luso-espanholas, que continua por ser resolvida, se bem que na prática já decidida.
S.

 

Surpresa

Numa Eucaristia em que participei, por estar no fim de ano, uma cristã pediu se podia dar um pequeno testemunho.
No final, dirigiu-se à Assembleia nestes termos: “1.º - Hoje faço anos e só há pouco tempo entendi que temos de estar sempre preparados para a morte; 2.º - Estou feliz porque a minha filha casou há três anos e não engravidava. E há tempos foi a família toda a Fátima e, de lágrimas nos olhos, pedi a Nossa Senhora de Fátima – Tu que foste Mãe, faz que a... também o venha a ser; 3.º - Deus concedeu-nos esta graça e na primeira ecografia que a minha filha fez, via-se o bater do coração do feto. Então entendi que a vida é desde a concepção e compreendi a posição da Igreja face ao aborto...”
Estas palavras sensibilizaram-me. Já por virem de quem tem compromissos políticos e partidários, já por serem espontâneas e inesperadas.
A juntar a este testemunho, enquanto pedalava numa bicicleta no ginásio, um dos monitores falava com uma pessoa ao lado e declarava: estou contra a execução de Saddam Hussein. A vida não nos pertence, por isso, não a podemos tirar, ainda que ao maior ditador. E sou sobretudo contra o aborto, a morte de uma criança inocente, sem defesa sequer da própria mãe...
Captei estas duas mensagens. E eu que entendi, por estar em tempo de Natal que não deveria ainda falar do referendo ao aborto, levei estas duas “bofetadas” para perder a cobardia e dizer definitivamente Não ao aborto! Afinal é a vida de um inocente indefeso e, como dizia este jovem do segundo testemunho, a vida não nos pertence!...
Sei que há que criar condições para as mães que o são sem condições para tal.
Sei que a nossa sociedade tem de uma vez por todas deixar de criar políticas ao seu jeito, para dar condições de plena liberdade às mães que também o querem ser.
Não é fechando Centros de Saúde e Escolas e criando clínicas abortivas que se dão essas condições.
Por isso, há muito para mudar nas mentes e na sociedade portuguesa!
S.

 

Um novo ano

Que seja um ano de esperança!

Como quando uma Mãe dá à luz uma criança, este ano de 2007 que acaba de nascer enche-nos de alegria e de esperança.
É verdade que a vida não está fácil para ninguém e as desgraças quotidianas são cada vez maiores. Mas ainda assim, os cristãos, pessoas de esperança, têm de olhar à sua volta, ler os sinais e acreditar que o Senhor da História não abandona a barca...
Há sinais muito negros à nossa volta, é verdade. Mas há também coisas lindas como o sorriso de uma criança que a todos deixa enternecidos. Este Natal foi preocupante
pelo consumismo exagerado que se verificou. O desemprego teima em não baixar, a inflação continua a subir, a Escola continua sem rumo, a Justiça tarda a chegar, a Saúde está caótica e o nível de vida parece não melhorar...
Pensamos que, tal como em Israel quando caía a desgraça apareciam os Profetas a animar aquele povo e a avivar a sua fé, também hoje, nesta contextualização concreta há que abrir o coração ao outro, dar as mãos aos que mais precisam do que nós e em espírito solidário e confiante, acreditar que Deus nunca abandona o seu povo. E assim estão criadas as condições para acreditar que o amanhã será melhor!

Friday, December 29, 2006

 

Chegámos ao fim do ano

O ano de 2006 está quase, a passar à história. Os ponteiros do relógio não param e 2007 está já a espreitar.
Não vamos fazer um balanço do ano de 2006, que por sinal não foi um ano fácil para ninguém, com as empresas a lamentar a falta de facturação e os clientes cada vez mais com dificuldades para liquidar as suas contas.
Também nós aqui no jornal estamos a sentir muitas dificuldades para cobrar as assinaturas e a publicidade, fontes de receita para fazer face às despesas que cada vez são maiores. No caso do jornal, acontece que já tivemos de pagar o IVA, os portes dos CTT, a matéria-prima para a feitura do mesmo. E no final do ano, há muita gente que se nega a pagar com argumentos que mesmo que sejam válidos, não resolvem os nossos problemas...
Para agravar mais esta situação, o Governo do senhor Sócrates, que continua a ter o sorriso dos portugueses, como se não houvesse a obrigação de divulgar a língua de Camões junto das Comunidades de emigrantes que residem fora do país, cortou o apoio à imprensa regional para o estrangeiro. Isto é, até aqui nós pagámos 5% do custo de expedição e o Governo pagava 95%. A partir de 1 de Janeiro de 2007, cabe-nos a nós pagar os 100% da expedição dos CTT, que diga-se de passagem, os preços não são nada meigos. Veja-se: para a Europa pagam-se 1,07 € por jornal; para o resto do mundo ainda se paga mais, ou seja, 1,38 € por cada número.
É neste contexto que enviámos uma mensagem a todos os assinantes do continente, do estrangeiro e também os que recebem os suplementos Ecos da Lase e Notícias de Portel. Aguardamos a devolução do postal, caso contrário, na primeira edição de Janeiro há muita gente que deixará de receber a defesa, com muita pena nossa. Mas o momento difícil exige-nos estratégias que dêem garantia de continuidade deste semanário que conta já 84 anos de idade.
Apelamos à compreensão de todos e pedimos aos nossos assinantes que têm o pagamento em atraso, o favor de procederem ao envio da respectiva verba, ou seja, dos 20 € anuais.
Neste último número de Janeiro de 2006, pedimos ao Deus Menino que a todos abençoe com votos de um Bom Novo Ano de 2007, cheio de paz!

Thursday, December 21, 2006

 

O papel das Misericórdias

Portugal recebeu este legado desde o tempo da rainha D. Leonor.
Ao longo da História, o papel desenvolvido por estas instituições foi meritíssimo para o desenvolvimento do país, mormente através do papel que desempenharam na área da saúde.
Um pouco por todo o lado se vê ainda o antigo Hospital da Misericórdia, que desenvolveu um papel ímpar, mormente ao prestar assistência aos mais pobres e desprotegidos, geralmente bem servido por irmãs religiosas que dedicavam a sua vida por esta causa. Ainda nos lembramos, na nossa infância, do Hospital da Misericórdia de Évora com uma equipa clínica de qualidade e um grupo de irmãs voluntárias de muita generosidade e competência.
Havia cama para todos os doentes e nunca ninguém ficou por ser tratado, mesmo se não tivesse qualquer cartão da Segurança Social...
Os ventos da história, após a revolução de Abril de 1974, como aconteceu com outras instituições, destruíram o que de bom havia. E as Misericórdias não resistiram aos assaltos, invasões, invejas... numa palavra, à sua destruição.
Como sói acontecer, depois da tempestade vem a bonança. E a própria sociedade civil, sentiu que deveria abrir o dossier das Misericórdias, negociando, entregando, apoiando o renascimento carismático dessas instituições.
Porque há muito que contar e para conhecer, iniciamos hoje uma série de suplementos para dar a conhecer estas instituições seculares, mas também como homenagem a tanta gente que tem ocupado as cadeiras da irmandade de forma voluntariosa, com esmerada competência e dedicação...
Começamos com a Santa Casa da Misericórdia de Redondo que foi a primeira a responder ao nosso desafio.
Mas outras há que já estão na lista, embora muitas outras ainda não tenham respondido à nossa carta, pensamos nós, porque estão à espera de reunir para decidir.
É curioso notar como estas instituições se têm dinamizado e actualizado. E quando lhes foi tirada a assistência médica, renovaram-se e jogaram mão a outras valências – ATL, Jardins de Infância, Creches, Apoio ao Domicílio, Centos de Dia e Lar, havendo mesmo outras que voltaram a abrir e dirigir os seus hospitais, como boa alternativa ao caos que se vive na área da saúde em Portugal...
Pode dizer-se que o espírito humanista e cristão se fundiu para dar lugar à mais alta dedicação e solidariedade humana que se vive nas Misericórdias.

 

Arcebispo de Évora há 25 anos

Faz no próximo dia 8 de Dezembro vinte e cinco anos que D. Maurílio de Gouveia, vindo de Lisboa, se sentou na cátedra dos Arcebispos de Évora pela primeira vez, depois de ser Bispo Auxiliar e de Mitilene de Lisboa.
Na altura, sucedeu a D. David de Sousa que por dificuldade visual pedira a resignação que foi prontamente aceite pela Santa Sé e que fora contestado pela divisão das paróquias da cidade e que vivera todas as atrocidades de 25 de Abril, onde forças descontroladas se mostravam hostis à Igreja.
D. Maurílio veio encontrar um Seminário que ainda não passara pela crise do post Vaticano com um corpo docente de alta craveira cultural e teológica, dentre eles, Monsenhor Mendeiros, Cónego Sebastião Martins dos Reis, Dr. César Baptista, Henrique Marques, Chantre Guerreiro para lembrar só alguns dos que já partiram para a eternidade…
O Episcopado de D. Maurílio em Évora fica marcado por quatro grandes acontecimentos:
- A vinda do Papa João Paulo II à Arquidiocese;
- A criação do Instituto de Sustentação do Clero (ISC);
- A celebração dos 350 anos da coroação da Senhora da Conceição como Padroeira de Portugal;
- As visitas pastorais que realizou a toda a Arquidiocese, mais de uma vez bem auxiliado, primeiro, por D. Manuel Madureira Dias e mais tarde por D. José Sanches Alves, com um punhado de Presbíteros diocesanos generosos que o ajudaram a realizar esta missão e onde D. Maurílio revelou os seus dotes pastorais com gestos proféticos que confortaram o coração dos alentejanos.
Como acontece com todos os mortais, também houve certamente alguns momentos menos bons. Mas não me compete a mim ajuizar.
Do Episcopado de D. Maurílio, direi que fica na história como continuador de grandes Arcebispos que por aqui passaram: D. David de Sousa, D. Manuel Trindade Salgueiro, D. Manuel Mendes da Conceição Santos, para só falar dos mais próximos.
Em hora de celebração das bodas de prata, “a defesa” implora ao Senhor as suas Bênçãos para ajudar o Prelado a descobrir o que fôr melhor para si e para a Arquidiocese!
D. Maurílio deixa a sua marca como homem sábio e piedoso, com alguns livros publicados, notas pastorais gravadas que não deixarão apagar da história e onde perdurará a sua actividade como indicador para quem o substituir…
Na data da celebração dos 25 anos na Arquidiocese, D. Maurílio pediu a maior descrição, negando-se mesmo a ser entrevistado.

Thursday, November 30, 2006

 

O Papa visita a Turquia

Bento XVI vai peregrinar de 28 de Novembro a 1 de Dezembro até à Turquia. Trata-se da segunda viagem fora do Vaticano, desde que foi eleito.
Não tem sido nada favorável essa deslocação. Desde logo, pelos conflitos levantados aquando das declarações de Bento XVI na Universidade da Alemanha, que enfureceram os muçulmanos, depois porque este país, que foi evangelizado pelo Apóstolo Paulo e onde o cristianismo chegou a ser a religião oficial, é agora uma Nação islâmica apesar de aí viverem várias comunidades cristãs ortodoxas, católica-caldeia, católica-arménia e sírio-católica, contudo, com uma expressão apenas de cerca de 5% da população, que chegara a ser cerca de 30% no início do século XX.
Apesar de toda a tradição deste país, que faz a ligação à Ásia, já que foi lá que se realizaram os primeiros Concílios da Igreja (Niceia, Constantinopla, Éfeso e Laodiceia) e por lá passaram os Apóstolos, a Turquia de hoje é bem diferente e domingo passado houve mesmo milhares de turcos que se manifestaram contra a visita do Papa, não obstante Bartolomeu I, Patriarca ecuménico de Constantinopla e chefe da Igreja grega em todo o mundo, ter convidado os turcos a receber bem Bento XVI, com estas palavras: “o Papa tem influência no mundo. Não é uma personalidade que se deva tratar com ligeireza. Devemos fazer tudo para que esta visita seja um êxito” e acrescentou: “se não fizermos, será negativo para a imagem da Turquia, no momento em que queremos entrar na União Europeia”.
Bem diferente é a posição do Papa que nada tem a ver com a política, integração ou não da Turquia na União Europeia, tratando-se de uma viagem apostólica e de uma visita a Bartolomeu I, afirmando que a sua visita será um estímulo para o restabelecimento da plena comunhão entre católicos e ortodoxos, apesar ainda do longo caminho a percorrer.
Seja como for, Bento XVI manifesta que apesar dos temerosos não aconselharem a ida do Papa a um país muçulmano, nada o demoveu do desejo de fazer esta viagem ecuménica, que necessariamente terá reflexos futuros entre católicos e ortodoxos, para a concretização do desejo de Jesus: “que todos sejam um”.

Thursday, November 23, 2006

 

Évora, Património da Humanidade

Remonta a 1986 quando a UNESCO inscreveu a cidade de Évora como Património da Humanidade.
Com este gesto a UNESCO reconheceu a monumentalidade da cidade de Giraldo e premiou a persistência, o carinho e a vigilância com que muitos alentejanos e amigos de Évora sempre olharam para esta que viria a ser tida como a cidade mais limpa do país ou a cidade museu, como era reconhecida.
O tempo passou e Évora não resistiu às vicissitudes do tempo moderno. O abuso da publicidade exterior, a utilização do ferro e do alumínio, as cores pouco criteriosas, substituindo a cal, que
não o branco e ocre, bem o excesso de cimento quer dentro quer fora das muralhas, têm descaracterizado um pouco esta herança secular que nos foi legada.
Apesar de tudo, Évora é uma referência. E quem nos visita fica sensibilizado pela sua monumentalidade, ruas medievais, arquitectura própria e característica desta zona micro climática, onde as referências aos povos que aqui passaram são ainda notórias.
Neste ano de 2006 estão a decorrer as comemorações desta efeméride, com um diversificado programa que culminará com uma sessão solene no dia 25 de Novembro às 11h, nos Paços do Concelho com convidados de honra, marca o momento forte das comemorações com um vasto programa agendado a saber: lançamento da revista, “A cidade de Évora”; concertos; exposições; colóquios; recitais; mesas redondas sobre “Património e Cidade”; conferências; teatro; lançamento de uma revista e um vinho especial “Évora, Património da Humanidade”...
Évora, produto do querer de muita gente do passado, exige do presente uma particular atenção para continuar a merecer o título de “Património da Humanidade”.

S.

 

A seara

A propósito da Semana dos Seminários, D. António Vitalino, Bispo de Beja, faz uma reflexão muito curiosa. Diz o Prelado que meditou o Evangelho de Mateus 9, 35-37 e tentou transpô-lo para a realidade da sua Diocese e questiona-se se temos seguido os conselhos de Jesus.
“1. Percorrer montes, aldeias e cidades – Em primeiro lugar, é preciso pôr-se a caminho, ir ao encontro dos lugares onde vivem e trabalham as populações alentejanas. Não podemos ficar sentados nas nossas sedes, parados nas nossas casas e lugares, mas temos de ir ao encontro das pessoas, das famílias, muito especialmente daqueles que não vêm ter connosco, sobretudo as crianças, os idosos, os doentes, os que vivem isolados e solitários nos montes alentejanos.
2. Anunciar a Boa Nova do Reino de Deus – Jesus anunciava por toda a parte a boa notícia da salvação para todos. Ele era portador da mensagem do amor de Deus por todas as criaturas, de modo especial pelas mais débeis, como são os pobres, as crianças e os doentes.
3. Encher-se de compaixão – Ao ver as multidões, que eram como um rebanho sem pastor, esfomeadas de pão e de amor, Jesus comove-se, enche-se de compaixão e toma algumas iniciativas, passando da constatação à acção. A seara é grande, as pessoas esfomeadas são multidão, os trabalhadores da seara são poucos, a seara está quase abandonada, deixando naquele que ama a sua seara um sentimento de profunda tristeza, que se compadece e procura soluções para mudar a situação.
A compaixão autêntica que brota do amor misericordioso torna-nos criativos, faz-nos procurar respostas em todas as direcções, quer junto do dono da seara quer junto daqueles que já se encontram a trabalhar na vasta seara. Podemos dizer que a via para resolver os problemas parte do olhar com amor, compaixão e realismo a realidade. É o primeiro passo da famosa trilogia da acção católica: ver, julgar e agir. Então o que faz Jesus e nos manda também fazer, a nós que já nos encontramos quase perdidos e desanimados na vastidão da messe?
4. Pedi ao Senhor da Seara – O princípio da acção para quem sabe que não é dono da seara e tem consciência de que nada pode fazer, se do alto não lhe vier a energia, consiste em implorar ao Senhor da messe para que envie mais operários. Isso não significa que Ele não o saiba já. Mas Ele quer pôr-nos à prova, quer ver se nós, os poucos que já estamos em campo, desejamos verdadeiramente outros companheiros e colaboradores ao nosso lado.”
Esta reflexão do Prelado da diocese vizinha veio direitinha à minha casa onde recebo o jornal da- quela Diocese. E senti-a tão rica e tão directa, numa linguagem tão simples e actual que tomei a liberdade de a transcrever, na certeza de que o objectivo é o mesmo e a realidade geográfica também. Estamos no Alentejo onde é preciso situarmo-nos no seu contexto socio-económico, onde também há, de certo, jovens vocacionados.
Se há menos vocações a chegar ao fim, provavelmente a razão está no ponto 4: “Pedi ao Senhor...”
É com toda a preocupação pela evangelização neste Alentejo mas também com toda a confiança na Palavra do Senhor, que pedimos aos nossos leitores uma oração muito especial pelos seminários – mandai-nos bons sacerdotes capazes de percorrer muitas aldeias e cidades...
S.

 

Mediatismo na PSP

Há dias, com grande aparato, a PSP de Lisboa montou uma operação à entrada/ saída de Lisboa, para ver como era feito o transporte das crianças. Até aí tudo bem...
Só que a pouco e pouco, começam a levantar autos aos condutores das viaturas, porque não era cumprida a lei – ora porque o menino ainda não tinha 1 metro e tal, ou porque a idade era inferior, ou porque a cadeirinha estava mal segura, ou porque o cinto tinha de passar por baixo das pernas e não pela barriga, etc, etc...
No meio de tanta confusão, retive um pobre pai lamentando-se que só tem um carro de dois lugares e ao sair de casa tem de trazer a mãe e a criança, por isso este vinha ao colo da mãe. E zás!
Bem sabemos que dura lex sed lex. Mas pergunta-se à PSP se não poderia desempenhar um papel mais pedagógico? Quando há carradas de assaltos todos os dias, muitos deles por ausência total de forças de segurança que apenas se passeiam de carro quase sempre pelas mesmas artérias; quando há tantos cadastrados e criminosos à solta; quando há tantos ladrões à solta; quando há tanta gente ilegal e delinquentes sem trabalho, utilizando todos os meios para sobreviver; quando há tanta gente com medo de sair de casa porque ninguém os protege, porque será que a parte de lobo mau da PSP recai sempre sobre os automobilistas?
Não queremos a imagem do “papão” doutros tempos para os homens que nos devem proteger e que também eles são vítimas de violência... Mas provavelmente precisamos de mais forças militarizadas na rua que nos defendam. E a questão dos carrinhos e de segurança no transporte para a escola, que não deve ser abandonada, poderá ter outro tratamento mais pedagógico e menos mediático.
S.

Thursday, October 19, 2006

 

O Dia Mundial das Missões celebra-se a 22 de Outubro, com o tema “O amor, fonte da Missão”

A revolução na Missão

Com este título publicaram os associados de Missão Press um artigo de Heribert Bettscheider e Jorge Fernandes, missionários do Verbo Divino, que lembram o papel decisivo de Paulo VI, ao publicar em 1965, a 7 de Dezembro, o decreto Ad Gentes, sobre a actividade missionária da Igreja.
Transcrevemos, em função do Dia Mundial das Missões e pela admiração que nos merece toda a missão e os seus agentes, alguns extractos:
“O tema das Missões ocupou uma das dez comissões preparatórias do Concílio Vaticano II. Depois de muitas reuniões, o resultado foi um texto muito jurídico, com sete capítulos, em que a preocupação principal não era teológica, mas administrativa. O rascunho não tomava em consideração as muitas questões de ordem prática, ou seja, as questões levantadas pelas próprias missões. A Comissão dedicada ao tema foi constituída logo no princípio do Concílio – que oficialmente teve início em Outubro de 1962, mas cujos trabalhos preparatórios duravam desde Janeiro de 1959 e só viriam a ser dados como encerrados em Dezembro de 1965. Porém, os avanços não foram grandes e muito menos rápidos. Alguns padres conciliares chegaram mesmo a propor que se incluísse o tema na Constituição sobre a Igreja. Na Comissão havia divergências notáveis.”
O Pe. Manuel Augusto Lopes Ferreira, insere na Revista Além-Mar de Outubro de 2006, um texto que intitulou “um documento para os novos tempos”, que se pode ler: “O decreto Ad Gentes do Vaticano II sobre a «Actividade Missionária da Igreja» oferece uma visão teológica e mantém a missão ligada à sua fonte divina, enraizada no plano de Deus (Missio Dei), decorrente da missão do Filho como seu modelo, e mais atenta à presença e acção do Espírito Santo. Depois, o documento abriu caminho para um protagonismo mais das Igrejas locais, tanto a Norte como a Sul. Estas cresceram mais na sua consciência missionária e passaram a responsabilizar--se mais nas iniciativas missionárias. O documento, ao favorecer a centralidade da missão na vida das Igrejas, favoreceu o regresso da missão às Igrejas locais.
Para além do mais, o documento abriu caminho ao compromisso dos leigos na missão universal. A colaboração missionária passou a ser vista prevalentemente como intercâmbio de pessoas e recursos humanos e não como partilha de recursos económicos e outros. E o documento também favoreceu e preparou a reflexão sobre a inclusão das iniciativas de promoção humana como parte integrante da missão evangelizadora da Igreja. Nesta linha, tornou possível a reflexão, que amadureceu posteriormente, sobre as questões culturais mais relevantes para a missão, como a promoção da justiça e da paz, a defesa da criação, bem como a promoção do diálogo e a colaboração entre os povos, as culturas e as religiões.
Neste sentido, o Ad Gentes esteve na linha dos dois grandes documentos do Vaticano II que mais anteciparam as questões do nosso tempo - os documentos sobre a Igreja, Lumen Gentium e Gaudium et Spes, que inspiram os processos de transformação eclesial que mais haveriam de influenciar a missão cristã no fim do século XX.”
Estamos a viver o mês das Missões; se é importante ir ao passado como marco de uma sensibilidade missionária, não é menos importante que a sociedade de consumo de hoje seja solidária para ajudar aqueles que dão a cara mas que por vezes lhes faltam os meios.
S.

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