Thursday, November 25, 2004

 

A luta anti-tabágica

Por iniciativa da UNESCO, celebrámos há dias o Dia do Não Fumador, que, por coincidência, coincidiu com o Dia da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).
Ficámos então a saber que a epidemia tabágica mata em Portugal, por dia, 23 pessoas. Por sua vez os pneumatologistas dizem que o fumo do tabaco está na origem de 97% dos cancros da laringe, chegando os especialistas a afirmar que a principal causa de morte em Portugal é o tabagismo activo, seguido do alcoolismo e do tabagismo passivo…
Quando olhamos à nossa volta, verifica-se que o consumo de tabaco está a aumentar, sobretudo nas raparigas, que são raras as que não exibem o cigarro nos lábios ou entre os dedos…
Aliás, as estatísticas ensinam que entre as adolescentes de 13 anos, nos últimos quatro anos, passou de 2 para 5,3 por cento e nas de 15 anos, os dados são ainda mais alarmantes, porque a subida incide de 10 para 19,5 por cento, o que dá uma taxa superior à registada nos rapazes.
Estes indicadores, particularmente alarmantes, dizem-nos que a Escola, com o seu laxismo, nada tem feito de eficaz junto da comunidade escolar, a não ser, por excepção, uma escola de chaves que, em reportagem televisiva, aceitou a medida tomada há muito pelo Corpo Directivo de proibir o fumo no recinto da escola, de bom grado para professores, funcionários e alunos que registavam o feito como positivo.
Não fumar é um direito, como dizia o slogan da campanha. E cientificamente estão provados os malefícios do tabaco.
Por isso, numa altura em que o Governo se prepara para legislar a proibição do fumo em recintos fechados… e locais de trabalho inclusive, é necessário aperfeiçoar a legislação para proteger os fumadores passivos e alertar os activos para protegerem a sua saúde, a dos outros e até o meio ambiente.
O Governo português e a Comunidade Europeia têm leis que protegem os não fumadores. Pena é que as mesmas só são levadas a sério na Irlanda e na Escócia.
E em Portugal? Ver para crer, mas é caso para lembrar: “dura lex sed lex”!

 

Condoleezza Rice ocupa lugar de Powell

O novo mandato de George Bush trouxe consigo novas caras. George Bush que aceitou o pedido de demissão de Colin Powell de secretário de Estado, nomeou Condoleeza Rice, que ocupava a posição de Conselheira Nacional de Segurança.
Também Bill Clinton havia nomeado uma mulher para Secretária de Estado, Madeleine Albright, nos anos 1997–2001.
Rice, amiga pessoal de Bush, que a trata por Condi, é tida como uma conservadora, deixando antever um segundo mandato de um previsível endurecimento da diplomacia dos EUA.
Condi agradeceu a George Bush “a oportunidade que lhe é oferecida”. Entretanto Bush homenageou Powell, “que considerou um dos maiores homens de Estado do nosso tempo”.
S.

Wednesday, November 17, 2004

 

Arafat morreu

Finalmente foi anunciada a morte de Yasser Arafat, a ser tratado num hospital militar em Paris.
De acordo com as autoridades palestinianas o cortejo fúnebre saiu de Paris para o Cairo onde foram celebradas as exéquias fúnebres na presença das autoridades estrangeiras e, daí, o corpo saíu de helicóptero para Ramallah onde foi sepultado na Mesquita.
Entretanto, o presidente do Parlamento, Rawahi Fattonh, assumiu interinamente a presidência da Autoridade Palestiniana, embora o verdadeiro poder esteja nas mãos do primeiro-ministro Ahamed Qorei, e no número dois da OLP, Mahmoud Abbas.
Arafat marcou a história. E embora seja contestado pela fortuna possível que amealhou, ele deu parte à OLP, e pena é que não tenha aceite o plano de paz que lhe foi proposto. Daí que seja tido como herói por uns e como terrorista para outros.
S.

 

Os políticos já não convencem

Cada Governo tem o seu estilo. E Pedro Santana Lopes começou por querer descentralizar a governação, criando algumas Secretarias de Estado fora de Lisboa e começando a reunir por esse país fora.
A princípio, entendia que a descentralização que levava os ministros a reunir em determinada localidade deste país se destinava a dedicar uma particular atenção àquela zona ou região. Nada disto tem acontecido, pois a reunião não passa de um pretexto para sair de Lisboa, conhecer hábitos gastronómicos e, possivelmente, aumentar os custos de deslocação.
É que o Conselho de Ministros também já reuniu em Évora. E para além duma ida a um arraial em Valverde, nada mudou. Não sofreu alteração, já que no tecido empresarial continuam a fechar empresas; não aumentou o emprego, já que o Alentejo continua a ser a zona do país (e segundo um relatório apresentado na semana passada pela Eurostat, da Europa) com mais alto índice de desemprego; não foram dadas prioridades, continuando os investidores sem saber em que investir: agricultura, pecuária, fruticultura ou pesca, pois Alqueva parece que só serve para lago piscatório e para lazer…
Deste jeito não admira a frieza com que os bragantinos responderam a um inquérito de rua, indiferentes à ida dos ministros a Bragança— pois já por aqui passaram muitos políticos e as promessas não foram cumpridas, dizem.
É assim que vai aumentando o descrédito dos políticos e o cepticismo no futuro do país. Afinal o poeta é que tinha razão: “falta cumprir-se Portugal…”.


Friday, November 12, 2004

 

George Bush eleito por mais quatro anos

Ninguém esperava que George Bush conseguisse ser reconduzido à Casa Branca com a maior votação de sempre nos EUA.
Os 59 milhões que votaram favoravelmente a Bush, deram-lhe a vitória em 30 Estados e 274 lugares. O partido Republicano reforçou a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes.
John Karry foi preferido por 55 milhões e meio, ganhou 19 estados e 252 lugares.
A partir deste resultado estrondoso de George Bush, começa-se já a fazer filosofia - ele ganhou porque os americanos têm medo de... porque é contra o terrorismo... porque é contra o casamento gay... etc ...etc... quando a verdade é que ele ganhou porque os americanos votaram nele.
E se nas últimas eleições a sua vitória sobre Gore, foi decidida em tribunal, agora não deixou dúvidas a vontade popular, naquela que foi a eleição com menos abstenção.
A 3 de Janeiro será empossado o novo congresso e George Bush tomará posse a 20 de Janeiro.

Tuesday, November 09, 2004

 

Novas oportunidades para a agricultura portuguesa

Decorreu em Santarém, de 26 a 27 de Outubro, o 6º Congresso Nacional de Agricultura organizado pela CAP, subordinado ao tema “Novas Oportunidades para a Agricultura Portuguesa”.
Das conclusões do mesmo sobressai um apelo à urgente criação de uma política agrícola nacional. Com efeito, o presidente da CAP, João Machado, considera “a agricultura como um dos sectores económicos mais relevantes do mundo, e não um sector marginal como tem sido encarado ao longo destes últimos anos.”
Para o Presidente, “o século XXI traz um novo conceito de agricultura e inúmeros desafios que penso estarmos aptos a responder. É, pois, fundamental para o nosso país ter uma estratégia agrícola e a grande aposta está na valorização da marca Portugal. A nossa agricultura tem que ser rentável para ser competitiva e como tal urge a criação de uma política agrícola nacional para fazer frente a esta nova etapa que se aproxima. Só assim defenderemos este sector e evitaremos a desertificação dos nossos campos”.
A nova Política Agrícola Comum (PAC) representa para a CAP, o momento da grande mudança e a grande oportunidade para reestruturar o sector e redefinir opções e atitudes. Para a Confederação, a nova PAC vai ter profundas consequências na nossa agricultura e mundo rural, mas também trará novas oportunidades de reconversão humana e tecnológica.
A nova PAC traz consigo muitas exigências e uma delas passa pelo entrosamento com o meio ambiente e com o desenvolvimento de uma agricultura ambientalmente responsável, onde a agricultura e o ambiente estão cada vez mais unidos na preservação da qualidade de vida. A agricultura é uma actividade ambiental e urge a conservação da natureza e a preservação do território de modo sustentável.
Além destes factores, a nova PAC vem ainda exigir produtos competitivos, que vão de encontro às necessidades do mercado, pois o consumidor de hoje é atento e preocupado, não só com a qualidade e sabor dos alimentos, como também com a sua saúde e a segurança alimentar. É fundamental assegurar a competitividade por via da diferenciação dos produtos e de um posicionamento diferente no mercado.
A CAP foi ainda muito crítica no que diz respeito à forma de trabalhar do Ministério. Para a CAP o Ministério da Agricultura torna-se um parceiro incontornável para os agricultores, tem contudo que resolver as suas imensas falhas que passam pela utilização óptima das políticas comunitárias, pela melhor articulação dos seus serviços, pela menor burocracia, pelo atempado pagamento dos agricultores e por um melhor controle e fiscalização.
Segundo a Confederação, o Estado tem que reformular a sua postura de não resolução imediata aos problemas dos agricultores e ele próprio redefinir a sua máquina, que se encontra extremamente burocrática e lenta face à urgência das necessidades dos agricultores e da Agricultura portuguesa.
Este congresso serviu para possibilitar uma reflexão sobre o futuro. Por isso, a CAP deixou, no final do Congresso, um apelo à classe política para que assuma com coragem esta mudança, e construa uma verdadeira política agrícola nacional, pois ela é urgente, e que crie instrumentos que resolvam eficazmente os principais estrangulamentos que este sector sofre.
João Machado refere que “o serviço da CAP passa sobretudo por garantir que a agricultura venha a ser mais vigorosa em 2013 do que é hoje, mais forte e organizada. As nossas soluções para enfrentar este desafio que se impõe, passam por renovar a população agrícola, por lhes dar educação, formação e ferramentas para evoluir e desta forma gerar mais riqueza social e pessoal e como tal vamos já para o terreno em Novembro para esclarecer os agricultores e ajudá-los a perceber e a enfrentar estas emergentes reestruturações”.
Dados estatísticos sobre o mundo rural indicam que há 400 000 explorações agrícolas, 1 milhão de trabalhadores e pessoas envolvidos neste sector com 460 000 postos de trabalho.
“Apaixonado como sou pelo mundo rural, estou ao lado da Confederação” quando diz que será necessário um esforço conjunto entre a administração agrícola e ambiental, as organizações e os agricultores para responder a este desafio e utilizar com eficiência a nova política agrícola e o novo quadro de apoios” para bem de Portugal.

 

Barroso em apuros

Não tem sido fácil a vida de Durão Barroso desde que começou a presidir à Comissão Europeia.
Com efeito, o processo de investidura da nova Comissão Eurpeia, não gerou consensos a ponto de os deputados do Parlamento Europeu (PE) exigirem a substituição do Comissário italiano Rocco Buttiglione.
Depois de afirmar ser a sua proposta a melhor para o momento, face às ameaças dos euro-deputados de chumbar a proposta do presidente designado da Comissão, José Manuel Durão Barroso ponderou, voltou atrás e pediu algum tempo ao Parlamento para repensar a Comissão… já que Buttiglione, Kovacs (húngaro), Neelie Kroes (holandesa), Mariann Fischer Boel (dinamarquesa), seguida da letã Inguida Udre e do grego Stavaos Dimas, são nomes muito contestados pelos euro-deputados.
A posição de Barroso foi tida como inteligente, ainda que tardia.
Entretanto Buttiglione foi substituído pelo presidente italiano, aguardando-se o desfecho final.
Contudo, lá diz o adágio, “quem torto nasce…”.

S.

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