Thursday, January 27, 2005

 

O 2.º mandato de Bush

O último escrutínio para a Casa Branca surpreendeu tudo e todos, com o resultado obtido por George Bush, mesmo quando parecia que a Guerra do Iraque tinha enfraquecido a imagem do líder americano.
Dia 20 de Janeiro George Bush foi entronizado para o segundo mandato, debaixo da agenda de combater o terrorismo, resolver a questão do Iraque, melhorar a economia e finanças dos Estados Unidos, que estão bem fragilizadas, resolver a questão da Segurança Social com recurso a planos de saúde privados. Por detrás destas questões, está viva a guerra no Médio Oriente e há ameaças de uma invasão ao Irão.
É neste contexto que dia 20 de Janeiro, escolhido desde 1932, é o dia D para o presidente do Supremo Tribunal dar posse ao novo Presidente.
À boa maneira americana, a tomada de posse contou com 10 mil polícias e soldados para vigiarem, houve bailes com alguns carros alegóricos que ocuparam os americanos durante cerca de 2 horas, tempo previsto para a cerimónia.
Quanto a gastos, fala-se de 40 milhões de dólares para desfiles, recepções, bailes, jantares oficiais…
Seja como for, Bush é presidente. Vai inaugurar o 2.º mandato. Ver vamos como desempenha o seu posto.
S.

 

A fome de ídolos

Portugal é um país doentio em criar ídolos, mesmo quando o seu valor é tão insignificante que pouco tempo duram.
Depois das Giselas e dos Zés Marias, apareceram os Frotas e os Condes, digo José Castelo Branco. Pelo meio ficaram todos os ídolos do Euro 2004 que preencheram manchetes de jornais e ocuparam as horas nobres nas televisões.
Mas como a fama é passageira e efémera, os heróis vão caindo, passando de moda e há que criar, inventar, fazer nascer outros.
Agora o novo herói chama-se Martunis, resgatado de uma praia de Banda Aceh, que durante 19 dias vagueou na praia alimentando-se mal e que foi encontrado pelo jornalista da Sky News, Jan Dovaston, agasalhado por uma camisola da selecção portuguesa. E é aqui que reside a sua heroicidade. Não é por resistir durante 19 dias à fome, à sede, à intempérie, à saudade da família. Isso pouco interessa. O que fala alto é que tinha uma camisola da selecção portuguesa, por isso sensibilizou craques e seleccionador, e toda uma onda nacionalista que prometeu este mundo e mais o outro… para fazer feliz o menino Martunis.
Há projecto de casa nova, mobília made in Portugal, Paços de Ferreira, oficina e ferramentas para o pai carpinteiro, a promessa de uma visita a Portugal e até criar uma equipa de futebol onde Martunis possa jogar…
Para trás ficam os traumas psicológicos, a integração no seu ambiente, a escolaridade e tantos outras questões que afectam necessariamente aquele menino.
Oxalá que todas as ajudas o façam crescer para o mundo real que é o seu!

Thursday, January 20, 2005

 

A visita à China da Comitiva Presidencial

Não sabemos o que quis dizer Jorge Sampaio com este pedido, como não entendemos quando há dias o Presidente pedia para se conseguirem maiorias na Assembleia… Jorge Sampaio tem este tipo de linguagem que confunde os racionalistas.
Mas desta visita de Jorge Sampaio, pouco haverá a esperar que não seja uma aproximação cultural. A economia tem as suas regras. E os chineses com a mão de obra a 2 cêntimos com produção obrigatória de 10/12 horas de trabalho diário, não vai compadecer-se dos salários altos e produções baixas de Portugal. Onde o resultado será, cada vez mais, a invasão de produtos made in China com o sério risco de obrigar a fechar fábricas de material eléctrico, calçado, têxtil e outros mais, como está já a acontecer todos os dias…
Daí que para Portugal pouco mais ficará de sorrisos, flores, danças e abraços… O resto é pura miragem.
S.

 

Mais faz quem quer do que quem pode

É sobejamente conhecida a frase “mais faz quem quer do que quem pode”. Na tragédia que assombrou o sudeste asiático, onde o número de mortos se perde nos 160 mil e desaparecidos estão ainda por contar… com milhares de desalojados a refazer as suas vidas, houve uma corrente humana de todo o mundo a dizer que está presente. Para além das equipas compostas por organizações não governamentais, que seguiram de imediato para o terreno, apesar dos obstáculos burocráticos, o recolhimento de verbas tem ultrapassado as previsões mais optimistas.
Assim, os 12 países mais desenvolvidos e a Comissão Europeia assumiram, perante as Nações Unidas e os jornalistas de todo o mundo, o compromisso de entregarem 717 milhões de dólares que corresponde a 73% do que Kofi Annan havia pedido. Contudo, há a promessa de conseguirem os outros 27% que faltam, para cobrir os efeitos do tsunami, nos tempos mais próximos. Também o Parlamento Europeu, que já ofertara 23 milhões de euros, votou sexta-feira mais uma entrega de cem milhões de euros.
A estas verbas acresce ainda o perdão da dívida dos países afectados, o que significa uma boa ajuda para minimizar tamanhos prejuízos. De salientar que para além das grandes ajudas dos Estados Unidos, Rússia, Japão, Reino Unido, China e outros, houve gestos de países mais pobres, como Timor, por exemplo, que chocaram o mundo pela positiva, de tanta generosidade.
Em Portugal a onda de solidariedade levada a cabo pela Cáritas, Cruz Vermelha, AMI, bem como iniciativas da RTP e outras, têm arrecadado verbas que superam sempre as expectativas, o que quer dizer que apesar de tanta guerra e divisão, ainda somos capazes de dar as mãos para ajudar outros mais necessitados do que nós.
E se é bem verdade que quem dá fica sempre mais rico do que quem recebe, não é menos verdade que as pessoas são sensíveis aos sofrimentos dos outros e, quiçá, graças aos meios de comunicação social, se envolvem em cadeias de sentimentos que levam a uma cadeia de solidariedade como a que temos assistido.
Afinal, do mal, também se podem tirar lições positivas e a campanha de solidariedade de todos os povos com o sudeste asiático é sinal positivo de que há que continuar a ter esperança, mesmo quando tudo parece desmoronar à nossa volta.

Wednesday, January 12, 2005

 

A culpa não é só dos outros

De há algum tempo para cá que estamos habituados a ouvir que tudo o que está mal, vem de trás; isto é, a culpa não é nossa, é dos outros.
Aconteceu assim quando Durão Barroso presidiu ao Governo no pós-Guterres; o mesmo se ouve dos presidentes autárquicos, que se lamentam porque a herança que receberam foi muito pesada…; e até ouvi há dias um dirigente desportivo dizer que as aquisições para este novo ano não são as mais desejadas pois ainda têm muitos pagamentos, que herdaram do passado, para liquidar…
No fundo é sempre a velha questão: não fui eu que quis fazer o mal, foi o outro que me enganou…
Ainda que haja um pouquinho de verdade nestas questões, não podemos deixar de interpelar: e tu, o que vais deixar para os outros?
A questão, bem no fundo, está no velho ditado “em casa onde não há pão, todos ralham, e ninguém tem razão”. É aqui que reside o núcleo fundamental, pois não nos damos conta de que somos um país pobre em recursos naturais, e mal estruturado em recursos humanos e, como tal, a exigir não digo mais sacrifícios mas que se faça alguma poupança.
Não é isto que acontece: cada qual consome até lhe dar crédito os cartões... e o que acontece a nível pessoal, repete-se na família, na instituição, na empresa e no país. E o resultado está à vista: há anos que andamos a lutar para cumprir o pacto de estabilidade… mas não para aumentar a produtividade e diminuir o défice.
E é por isso que os têxteis do Vale do Ave estão a falir, e as fábricas a fechar face à invasão dos produtos chineses e terceiro mundistas, onde não se respeitam os direitos humanos e se explora a mão de obra infantil, que o Ocidente condena mas que não é capaz de repelir os produtos que chegam ao consumidor mais baratos seja lá por que artimanhas for…
E a continuar assim, o desemprego crescerá, as falências aumentam, e Portugal continua cada vez mais dependente dos outros, sendo ultra-passado por parceiros comunitários.

 

Há esperanças de paz no Médio Oriente

Os conflitos no Médio Oriente têm provocado uma onda de contestação em todo o mundo.
Depois de um período de muita esperança, Arafat tornou-se indesejado em Israel e a violência cresceu na Palestina e nos territórios ocupados.
Com a morte do líder palestiniano parece que foram criadas condições para que a paz volte àqueles territórios, graças ao novo acordo de regime entre o Likud e Trabalhistas, onde Shimon Peres aparece como número dois no Governo de Israel. E desta vez, Sharon tem a oposição dos colonos, já que o seu plano prevê o desmantelamento de 21 colonatos da Faixa de Gaza e alguns da Cisjordânia.
Embora não seja fácil reconciliar os interesses de Israel com as pretensões dos palestinianos, a eleição de Mahmud Abbas pode abrir uma nova página nas relações palestiniano-israelitas, condenados a viver lado a lado.
Tanto mais que Shimon Peres já saudou o novo líder palestiniano com palavras de esperança para o processo de paz.
S.

Wednesday, January 05, 2005

 

Não e não! Permitam-me que discorde

Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal, AIEP, escolheu como personalidade do ano Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, ficando atrás de si o treinador José Mourinho e a pintora Paula Rego.
A Associação é formada por 50 correspondentes de meios de comunicação social dos cinco continentes, e instituiu em 1990 este prémio para distinguir as personalidades de maior projecção internacional.
É bom de ver que para os correspondentes estrangeiros Durão Barroso ajudou a resolver um problema com que se debatia a UE, e que não reunia consenso à volta de outras personalidades propostas. Mas não podemos desligar Durão Barroso da crise por que está a passar Portugal, e se há um culpado foi necessariamente Durão Barroso, que abandonou o barco quando mais era preciso o controle, a afirmação, a concretização de um projecto.
Por isso mesmo, que me perdoe Durão Barroso, mas a meu ver não merece ser distinguido. Se há alguém a distinguir, neste ano de 2004, são as organizações do Euro 2004 e do Encontro de Jovens Taizé.
Para estes eventos, sim, é que deve ir a distinção, porque promoveram Portugal, ao menos, a nosso ver!

 

À terceira volta Iuchtchenko vence eleições na Ucrânia

Viktor Iuchtchenko foi eleito Presidente, após uma inédita terceira volta das eleições presidenciais ucranianas.
O candidato do regime, Viktor Ianukovich, registou 11,98 milhões de votos (43,99 %), contra os 14,52 milhões de votos (52,22 %) de Iuchtchenko. A taxa de participação atingiu 77,22 por cento, um pouco menos do que na segunda volta de 21 de Novembro (80,55 por cento), que foi anulada pela justiça ucraniana devido às fraudes maciças registadas.
Nas suas primeiras declarações como vencedor, Iuchtchenko afirmou ser “uma vitória para o povo ucraniano, para a nação ucraniana. Talvez durante 14 anos tenhamos sido independentes; agora somos livres”, declarou.
Ianukovich, contudo, não acei- ta a derrota nas eleições presidenciais, alegando fraudes, e anunciou já que irá recorrer do resultado perante a Comissão Eleitoral Central. “[Este é] um exemplo de mudança de poder de forma não democrática, pela via revolucionária e não constitucional”, criticou o derrotado.

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