Thursday, February 24, 2005

 

Chissano - Doutor Honoris Causa - pela Universidade do Minho

A Universidade do Minho, ao comemorar os seus 31 anos de existência, atribuiu a Joaquim Chissano, presidente cessante de Moçambique, o grau de Doutor Honoris Causa em Ciência Política e Relações Internacionais, como reconhecimento do trabalho realizado por Chissano em prol da paz, da construção da democracia e do desenvolvimento dos países africanos.
A cerimónia, que foi presidida por Jorge Sampaio, teve a presença de Mário Soares. No discurso de agradecimento, o ex-presidente moçambicano fez questão de lembrar que os povos colonizadores ainda não pediram desculpas aos colonizados.
Antes de receber a distinção, Chissano foi recebido no Porto por Rui Rio e disse que fora dali que partira a 23 de Junho de 1961 para iniciar o processo de criação da FRELIMO.
S.

 

O rescaldo das Eleições

As eleições de 20 de Fevereiro vão ficar na história, não só por um Partido ter conseguido uma maioria absoluta, como por a direita ter a menor percentagem de votos desde a nossa democracia, como pela subida de toda a esquerda.
Entrámos assim num novo ciclo político onde Durão Barroso não está isento de culpas por ter abandonado o barco para ir para Bruxelas.
Como dizem, noutro local, o PS com 120 deputados (aguardamos ainda a distribuição dos 4 círculos da emigração) tem todas as condições para governar. A questão reside agora nas pessoas a escolher para o Governo, já que nem sempre os mais competentes estão disponíveis, e no pragmatismo que é preciso encarar, quer pela instabilidade das nossas finanças quer por sermos um país pobre, com os seus recursos mal aproveitados e, ainda por cima, a viver acima das nossas capacidades.
Santana Lopes, que era tido como um ganhador em actos eleitorais, não teve estratégia para estas eleições. Ou se deu por vencido ou bem cedo sentiu que sem a ajuda dos pares partidários não ia a lado nenhum. E ao contrário do PS e do CDS-PP, que lutaram na caça ao voto, com dinamismo e entusiasmo, Santana Lopes não delineou estratégias eleitorais e, por isso, perdeu as eleições.
Ainda é cedo para pensar na mudança de líder, mas adivinha-se um congresso do PSD, onde necessariamente aparecerão novos candidatos, pois a vida de um Partido não pode estar dependente de um único líder.
As autárquicas e as presidenciais que se adivinham, marcam o ritmo para um Congresso em breve, e como a democracia permite alternância, daqui a 4 anos veremos se o Governo PS agradou e mudou Portugal, se o povo quererá de novo mudar de Governo.
Em democracia, tudo é possível. Mas por ora, o vencedor é o PS.
As consequências dos resultados não se fizeram contudo esperar. Paulo Portas demitiu-se perante um auditório comovido, afirmando “assumir a responsabilidade pessoal por este resultado”, uma derrota, considerando que o líder popular tinha como objectivo os 10% de votos, concluindo, “terminou o ciclo político em que eu presidi ao CDS durante 7 anos”.
No PSD, Santana Lopes não se demitiu, mas assumiu a “responsabilidade pessoal” pelo resultado obtido, que não significa “uma situação catastrófica, com um resultado equivalente já ganhámos eleições”. A terminar, Santana Lopes anunciou desde logo “a convocação de um Congresso extraordinário, para o qual todos os militantes estão convocados”.
As palavras mais esperadas da noite couberam ao líder socialista, José Sócrates. “Amigos e camaradas… conseguimos!”, foi assim que o Secretário Geral do PS começou o seu discurso à massa socialista em festa que o esperava. Fez alusão à sua vitória como histórica, “caiu um velho mito: que só a direita pode ter uma maioria absoluta no Parlamento”, e comprometeu-se desde logo a “restaurar a confiança dos portugueses, de Portugal e da economia”.
A CDU apresenta-se como a 3.ª força política, destacando-se o comentário de Jerónimo de Sousa: o “resultado da CDU (…) revela um elemento reforçado do seu papel”, e mais à esquerda, o Bloco de Esquerda, que conseguiu eleger 8 deputados, apresentou 2 desafios ao novo elenco: o “combate ao desemprego, exclusão e pobreza”, e “apresentar nas próximas duas semanas um projecto-lei que convocará um referendo para a despenalização do aborto” nos moldes actuais.

 

Vamos todos votar

Várias instituições públicas têm apelado aos cidadãos para irem votar.
Fê-lo a Conferência Episcopal no mês de Dezembro; veio relembrá-lo a Comissão Justiça e Paz em meados de Janeiro e fê-lo também um grupo de cidadãos, em carta aberta de católicos aos eleitores, no último dia do mês de Janeiro de 2005.
A Comissão Justiça e Paz diz no seu Comunicado: “Temos notado entre alguns cristãos uma posição de distanciamento em relação ao acto eleitoral…Estas são formas de fugir à responsabilidade individual na condução do país. Ora, votar é um direito e um dever cívico”.
Para o grupo de cidadãos da Carta Aberta, recordam que a Igreja afirma “que os leigos não podem, de maneira nenhuma, abdicar de participar na política ou seja, na multíplice e variada acção económica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover de forma orgânica e institucional o bem comum” (João Paulo II, Christi Fidelis Laici, 42).
E mais à frente, este grupo de cidadãos recorda aos católicos, que “quando a acção política se confronta com princípios morais, é então que o empenho dos católicos se torna mais evidente e cheio de responsabilidade…”
Os nossos Bispos lembram que “importa avaliar da sua justiça (dos objectivos propostos), da sua viabilidade, da sua consonância com os princípios da dignidade humana, do respeito pela vida, da dimensão social que todos os políticos devem ter. Para os cristãos, o critério de avaliação é o Evangelho e a doutrina social da Igreja. A democracia é o quadro político da liberdade, mas também da responsabilidade. E esta só se explica na busca generosa do bem comum”.
Votar é um dever. Se há actos que a democracia veio ofertar-
-nos é o direito à cidadania. E esta não dispensa a participação activa, livre e secreta de cada cidadão que se manifesta claramente no direito e dever de votar.
Obviamente que cada cidadão é livre de votar, em consciência, no partido que estiver mais próximo dos seus ideais. O que não podemos é dar ocasião a que o grupo dos não votantes (abstenção) seja, por vezes, superior ao do Partido vencedor.
Se outras razões não existirem, o facto de tomar consciência que votar é um acto de exercer a cidadania, de manifestar a minha opção, então vamos todos votar, pois votando estamos a reforçar a nossa democracia!

 

A homenagem ao Mestre

É bem verdade quando se diz que só o que é divulgado pelos mass media é notícia.
No passado sábado a sociedade civil, cultural e religiosa, deram as mãos para homenagear um cidadão que se impôs ao mundo com os seus estudos criteriosos e científicos.
Com efeito, por sugestão da LASE, Liga dos Antigos Alunos do Seminário de Évora, o Governo Civil, a Câmara Municipal de Évora, a Universidade de Évora e a Arquidiocese deram as mãos no reconhecimento da personalidade homenageado, cónego doutor José Augusto Alegria.
A homenagem começou na Eucaristia solenizada pelo Eborae Musica e continuou no Fórum Eugénio de Almeida, onde as entidades presentes salientaram os traços da personalidade homenageada.
Com efeito, o Magnífico Reitor da Universidade de Évora traçou o perfil do historiador a quem a Universidade concedeu o grau de Doutor Honoris Causa; o Presidente da Câmara realçou o trato fino que sempre existiu entre si e o ilustre clérigo eborense; o Governador Civil de Évora disse ser aquela homenagem mais do que uma homenagem local; ela tem uma dimensão nacional. E, finalmente, o orador convidado, professor doutor Rui Nery, numa brilhante palestra, revelou o apoio que desde jovem sempre recebeu do cónego Alegria. E realçou a importância dos estudos levados a cabo pelo homenageado, conhecidos em todo o mundo e que revelou a nossa produção musical nos séculos XVI e XVII, até ser dado a conhecer pelo homenageado, completamente desconhecido na Europa, onde se sobrepunha a música ariana…
Depois, foi a vez do Arcebispo de Évora realçar o valor que a Igreja dedica à música e reconhecer a capacidade invulgar do musicólogo José Augusto Alegria, que deu a conhecer a Escola de Música de Évora e deixou uma vasta obra publicada no campo da Música, da Poesia e da Literatura.
Enquanto ouvia os ilustres membros da mesa falar da personalidade homenageada, recuei no tempo à Escola de Santa Clara, onde o Pe. Alegria foi meu professor de Educação Moral. Mais tarde, foi meu professor de Literatura e depois professor de Música e maestro do Coral do Seminário de Évora. Nutríamos uma simpatia mútua um pelo outro, quiçá pelos laços alentejanos que a ambos nos unia…
Mas, se a minha admiração pelo meus Mestres é uma constante, nos meus sentimentos de quem sabe que muito aprendeu com esta geração que me marcou positivamente, com o cónego José Augusto Alegria havia uma empatia, onde a diferença de idade não impedia que sempre que nos encontrávamos, e eram muitas as vezes, o Mestre me estimulasse a continuar a minha missão no Jornal Diocesano, onde dizia : “escreve, escreve sempre, é preciso não nos calarmos e a Igreja tem autoridade para dizer o que diz”.
Para um miúdo que fora seu aluno, estas palavras caíram no coração. E é por isso que guardo na minha memória as lições dos meus Mestres – dr.ª Odete Direitinho, chantre Guerreiro, cónego Reis, César Baptista, monsenhor Mendeiros, Cónego Melo e, obviamente, cónego José Augusto Alegria, para falar apenas daqueles que da lei da morte se libertaram.
A minha homenagem!

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