Thursday, June 09, 2005

 

Primeiro Ministro timorense em Portugal

O primeiro-ministro de Timor-Leste visitou Portugal nos passados dias 2, 3 e 4 de Junho. O objectivo desta visita foi “encontrar novas formas de cooperação nas áreas da Educação e da Justiça”, consideradas prioritárias por Díli, e “atrair investidores privados”. Após um encontro com José Sócrates, Mari Alkatiri assegurou que o seu país precisa de investimento e “está minimamente preparado” para o receber.
O primeiro-ministro português respondeu ao apelo afirmando repetidamente “o empenho de Portugal numa cooperação reforçada com Timor-Leste”, sobretudo ao nível do “reforço institucional” e do “desenvolvimento da sociedade” timorense, e aproveitou o encontro com Alkatiri para lhe oferecer uma biblioteca jurídica de cerca de 40 volumes.
A presença do líder timorense acabou por ser dominada em grande parte pelos conflitos que têm oposto o Governo e a Igreja, com Mari Alkatiri a assegurar que a situação está já ultrapassada e que o objectivo, agora, é abrir o debate sobre questões de consciência à sociedade timorense.
“Foram 19 dias de manifestações com exigências de todo o tipo, mas a questão foi ultrapassada com o acordo que se assinou”, disse Alkatiri, após o encontro, em Lisboa, com José Sócrates.
Esse acordo, assinado em meados de Maio, “toca assuntos que mexem com a consciência de cada cidadão e tem o mérito de abrir o debate a toda a sociedade”, acrescentou, referindo-se concretamente “ao aborto e à prostituição”, que a Igreja timorense quer ver criminalizados.
Sobre o carácter facultativo da disciplina de Religião e Moral, na origem da crise, Mari Alkatiri afirmou que “a disciplina existe, com carácter regular, mas a frequência é facultativa”, como foi aprovado pelo Conselho de Ministros a 27 de Outubro passado, “numa decisão que não foi bem entendida pela hierarquia da Igreja Católica”.
Questionado sobre se a questão da segurança no país foi abordada no encontro, numa altura em que Timor-Leste deixou de contar com uma força de “capacetes azuis” armados, Mari Alkatari respondeu que “o país está seguro, a democracia está estável e a paz veio para ficar. Por essa razão, a questão não foi abordada nem por mim nem pelo primeiro-ministro, José Sócrates”.

 

É preciso repensar a União Europeia

Se o não da França no referendo sobre a União Europeia a deixou fragilizada, o reforço do não na Holanda por uma margem tão expressiva, cerca de 63%, começa a ser preocupante e, naturalmente que fará os chefes de estado repensar o assunto. E não só em França e Holanda, mas em todo o espaço europeu.
É inquestionável que a Europa precisa de um Tratado Constitucional (já que há comentadores que não querem chamar-lhe Constituição) que reforce as regras democráticas nos exercícios de poder a nível europeu.
O não da França, logo seguido do não, da Holanda pode causar um efeito de bola de neve e, consequentemente, colocar em causa os reais objectivos da comunidade europeia. Todos nos damos conta que as principais decisões estão transferidas para Bruxelas, o que naturalmente está a matar a soberania nacional dos Estados. O alargamento da UE foi um forte desafio que de alguma maneira não ajudou os países que estavam a caminhar para acertar o passo com a Europa. E se nos lembrarmos do que aconteceu com Portugal, onde a sua agricultura desapareceu, a industrialização se fragilizou e a floresta não cresceu… bem assim a pesca diminuiu, é caso para nos interrogarmos dos benefícios da UE para Portugal.
É certo que entraram muitos fundos mas parece que apenas para proveito de alguns, já que os níveis de pobreza cresceram com a ameaça de desemprego… e a nossa dependência é cada vez mais evidente!
Quando me lembro das searas de trigo deste Alentejo, dos frutos mais saborosos deste país, do azeite puro que nos colocava nos escalões mais altos da produção e quando olhamos para os níveis de ensino que atingimos com as Escolas Técnicas, e olhamos hoje para esta desgraça que nos rodeia e para a política do subsídio reinante… temos razões para pensar duas vezes no sim ou não que o referendo nos vai colocar.
Ainda não tenho certezas. E quiçá, para Outubro, o não se repita também em Portugal. A não ser que as coisas mudem até lá e que renasçam sinais de esperança.

 

O fim de Schroeder?

O SPD de Schroeder sofreu uma derrota histórica nas eleições regionais da Renânia do Norte – Vestefália, que aconteceram no domingo, 22 de Maio, e onde os socialistas imperavam há 39 anos. Desta vez, o partido do chanceler alemão Gerhard Schroeder foi temivelmente sacrificado com um resultado histórico de 37,5% e 45% para a CDU, contra os 42,8% e 37% em 2000.
Perante este cenário, o chanceler resolveu antecipar as eleições, decidindo-se por apresentar uma moção de confiança no Bundestag a 1 de Julho do corrente ano, e que tudo faz crer que sairá derrotado. Aliás, numa sondagem ao povo alemão, 80% aplaude esta medida.
Assim sendo, tudo leva a pensar que Angela Merkel será a próxima “chanceler”, já que é a líder do CDU.
O défice, os cinco milhões de desempregados e a falta de unidade da velha Berlim estarão na base deste mau resultado.

 

Sócrates não cumpriu

Aquilo que todos não desejavam aconteceu: José Sócrates esqueceu as promessas eleitorais. Começou cegamente a substituir os dirigentes das instituições para satisfazer as exigências do apoio eleitoral. Nunca mais falou nos desempregados e consequentes cinco mil empregos para um ano e aproveitando-se de um dado que todos sabiam, o aumento do défice, para aumentar os impostos e matar Portugal no domínio da concorrência com os outros países.
As maiorias absolutas (que eu detesto desde o tempo de Cavaco Silva) dão estes exageros. Calar a oposição, não ouvir os entendidos e fazer o que muito me dá na gana…
Segunda feira o programa Prós e Contras reuniu um grupo de entendidos – Eduardo Catroga, Bagão Félix, Pina Moura, Murteira Nabo e Fernando Ribeiro Mendes.
E durante o programa todos reconheceram que há que combater o défice mas não com a subida de impostos e consequente empobrecimento dos mais pobres. Ora, José Sócrates, com a faca e queijo na mão que lhe dá a maioria, decidiu exactamente o contrário. Em vez de diminuir o despesismo do Estado e das Autarquias (o grande cancro da nossa economia), atirou-se para maiores impostos e outras decisões, ainda que discutíveis, mas menos más. E vai daí, primeiro sobe o IVA de 19 para 21%, carrega no IRS para os que ganham mais e penaliza os funcionários públicos quer no regime de descontos sociais quer na idade da reforma…
Assistimos mais uma vez a uma dialéctica política mas que nada aponta para um país moderno. Não se falou no reduzir dos gastos; não se teve em conta a produtividade e aumento da riqueza para o país; não se falou na reforma da administração pública nem da saúde. Por isso, bem denunciou o Prof. José Gil, “os por- tugueses não confiam no Estado pelo clientelismo, injustiça, falta de estímulo à iniciativa empresarial e à autoconfiança…”
Em três meses de Governo, as medidas agora tomadas são contraditórias: não mexeu no rendimento mínimo, nas SCUT’s, nos benefícios fiscais…
Por isso só resta aguardar o fim deste Governo e ter a coragem de criar um Governo de iniciativa presidencial que tenha Portugal no coração… isto é, que coloque Portugal em primeiro lugar.

 

Kumba Ialá auto-proclama-se - Presidente da Guiné

Quando há semanas mostrámos aqui a nossa surpresa pelo facto de dois ex-presidentes (Kumba e Nino) derrubados pelos militares concorrerem agora à presidência, estávamos longe de pensar que Kumba Ialá viria auto-proclamar-se Presidente da República da Guiné Bissau, alegando que ainda não acabara o mandato para que fora eleito.
De então para cá, o caso evoluiu, já que os apoiantes de Kumba quiseram manifestar-se na capital, sem autorização e, por isso, foram impedidos pelas forças de segurança, que chegaram a lançar gás lacrimogéneo.
Entretanto os apoiantes do ex-presidente insistem em voltar a manifestar-se e, desta vez, com ameaças de que ripostarão à polícia, caso haja agressões.
A iniciativa de Kumba Ialá surgiu quando este teve dados de que não ganharia as eleições; por isso, criou a confusão – disse o ex-primeiro ministro de Kumba Ialá, Alamara Nhassé.
O presidente interino, Henrique Rosa, garantiu que vai manter-se firme até às eleições. E o primeiro ministro Gomes Júnior, que se encontrava em Portugal, regressou, e parece controlar a situação, ameaçando Kumba Ialá com as sanções previstas na lei.
Vamos ver como termina esta novela de “política à africana”.

 

E tudo o vento levou

Foi uma semana trágica a que terminou, desfazendo sonhos, motivando lágrimas, desespero e desalento.
Com efeito, depois de tantos castelos de vento que foram construídos, o Sporting viu tudo desmoronar por terra. A repetição de serem campeões, como em 2000/2001, caiu por terra quando na Luz perderam por 1-0. Afastados irremediavelmente de Campeões da Liga, sustentavam ainda a esperança de poderem vencer a Taça UEFA, já porque tinham feito um bom trajecto europeu, e já ainda porque jogavam a final no seu estádio.
Tudo parecia preparado para repetir o feito de 1964, quando os leões venceram a Taça das Taças frente ao MTK de Budapeste.
Desta vez, o excesso de confiança, o cansaço físico dos jogadores e também a pouca experiência de Peseiro, face à da raposa do CSKA de Moscovo, Valery Gazzaev, que apesar de estar a perder 1-0 ao intervalo, conseguiu dar a volta ao jogo, vencendo por 3-1 e manietando completamente os movimentos leoninos e a táctica de Peseiro.
Fez pena ver partir a Taça UEFA que o Sporting teve nas mão, sobretudo quando à posteriori se verificou a ineficácia das substituições leoninas e a falta de combate à estratégia de contra-ataque do CSKA de Moscovo.
Enfim, é caso para dizer: numa semana, tudo o vento levou!

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