Thursday, December 15, 2005

 

Política agrícola nacional, precisa-se

A Confederação Nacional de Agricultores (CNA) marcou uma Jornada Nacional de Reclamação e Protesto da Lavoura, que culminou com uma manifestação de agricultores do distrito de Braga, para exigir do governo uma verdadeira política agrícola nacional.
As reivindicações dos agricultores, parecem ser legítimas: exigir uma política agrícola que defenda a pro- dução nacional e que garanta o escoamento dos produtos, de forma a não continuarmos dependentes de outros países.
Os agricultores estão contra o aumento do pagamento à Segurança Social e exigem o aumento da quota de leite. Confiantes que o diálogo poderá alterar a situação desastrosa
da política nacional agrícola, os agricultores estão preparados para outras formas de luta, após o período de Natal.
Aqui está um problema que a mim me aflige, ainda que não seja agricultor. É verificar como em 30 anos de pós 25 de Abril a nossa agricultura tem vindo a perder peso no PIB nacional. Pagou-se para arrancar as melhores árvores de fruto. Lembram-se dos pêssegos de Montargil?
Não se apanha a azeitona e abandonaram-se os olivais...
Os citrinos do Algarve apodrecem por falta de escoamento para fábricas de sumo ou mercados frutíferos...
A cevada e o centeio deixou de se cultivar e também deixaram de se produzir rações para os animais. O trigo, que enchia os depósitos da PAC espalhados por todo o Alentejo, chamado o celeiro de Portugal, também deixou de se semear. Como consequência, o preço do trigo explodiu e um kg de pão deixou de custar 3$30, qualquer coisa como 16 cêntimos para custar 1.50 euros, mais ou menos 300$00, isto é, 100 vezes mais...
Há tempos li na Comunicação Social que Portugal deve voltar a produzir trigo duro, para ficar menos dependente do exterior. Oxalá este projecto se confirme. A ajudar, um
ano de muita chuva, alternado com dias de sol - condição óptima para
este cereal.
Não é por ser sonhador, nem por mera poesia que defendo o desenvolvimento da agricultura. É porque
a agricultura, a produção da vinha e da pecuária poderão ser uma alter- nativa para criar postos de trabalho, produzir riqueza e o Alentejo deixar de ter a imagem de terra de ninguém e abandonada, na cauda da Europa.
E isso sem inventariar as vantagens que poderão vir de Alqueva, já que água e sol e bons solos são ingredientes para as melhores produções...
A terminar este texto anuncia-se que Portugal poderá perder 440 milhões de euros de fundos comunitários para o desenvolvimento rural, se a proposta de orçamento para a União Europeia, apresentado por Tony Blair, for aprovado.

 

Porque incomodam os crucifixos nas escolas?

Estamos num período natalício, momento propício para fazermos tréguas e não embalar em falsas cruzadas, mesmo ainda quando sejamos provocados para tal.
Entre os assuntos que tenho agendados para reflectir, a guerra dos crucifixos está para ser tratada ainda este ano. Por isso, neste primeiro dia de Dezembro, tendo à minha frente, na mesa de trabalho, um crucifixo que me ofertou um enviado do Papa, quando há uns anos almoçámos juntos na Quinta de Santo António... olhando para este Cristo sofredor, interrogo-me porque há tanta gente preocupada por estar em algumas Escolas a imagem do crucificado.
Desde Abril que uma Associação manifestou a sua indignação por haver Escolas que ainda tinham lá o crucifixo, mas só agora em Novembro a notícia foi divulgada pelo Diário de Notícias do dia 26. Melhor que ninguém, D. Jorge Ortiga, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, mostrou a sua indignação nestes termos: “Como português, sinto-me chocado com esta orientação. Se os outros, de outras convicções, poderão ficar chocados, como diz a Ministra, eu também estou e com certeza que, comigo, muitos milhões de portugueses”, afirma D. Jorge Ortiga, sublinhando que não quer “guerra de espécie nenhuma”, apenas espera “que os católicos portugueses se manifestem”. “No momento opor- tuno”, acrescentou o Arcebispo de Braga, “a Conferência Episcopal pronunciar-se-á”.
É normal que, depois do que aconteceu em Itália há dois anos, e em França, no ano transacto, que o assunto também chegasse a Portugal. E chegou ainda que timidamente, pois não se conhece exactamente os termos em que foram avisadas as escolas infractoras, mas a verdade é que há gente que parece muito preocupada com os crucifixos, quando se deveriam interessar mais pelos currículos e pela qualidade do ensino.
Seja como fait-diver, seja como cruzada anti-cristã, o assunto está na ordem do dia, e não po- demos ignorá-lo, mesmo que seja uma minoria a sentir-se incomodada com a presença de símbolos cristãos em lugares públicos. Aplica-se uma frase que um meu professor muitas vezes evocava, sobretudo no Portugal de 1975, “um cão a ladrar faz mais barulho que uma matilha calada”.
E é verdade que basta um pequeno grupo levantar a voz para o Ministério da Educação tremer e decidir a favor dessa minoria. E que dirão os oito milhões de cristãos portugueses? Será que não podem ser eles a exigir esses sinais, não que sejam colocados lá hoje, mas ao menos que permaneçam onde já estão. Ou então, para sermos fiéis à lógica, derrubem-se as catedrais e igrejas deste país, devolvamos à hierarquia católica os quadros e objectos religiosos roubados aquando da implantação da República, alguns enchendo os Museus estatais... porque afinal, são reflexos deste país cristão que fomos e que continuamos a ser, para raiva de uns tantos descaracterizados que não chegam a ser nada, porque não têm rosto para dar a cara...
Pela minha parte, nada me repugna que não coloquem crucifixos nas escolas que vão abrindo, mas não gostaria de deixar de os ver ao menos nas escolas por onde passei quer como aluno, quer como professor.
Porque afinal, esta questão vai incomodar a uns tantos (poucos) a existência de sinais cristãos, também dá o direito de interpretar se não incomoda a ausência destes mesmos sinais, a muitos outros que estão familiarizados com eles, e que são a maioria.
Uma coisa é certa. Poderão tirar os crucifixos das escolas, mas Cristo continuará lá presente no Coração dos que o conhecem!

 

Por que não ficou em Évora o Instituto Ibérico de Investigação?

Decorrendo em Évora a última Cimeira Luso-Espanhola, para mais tendo decorrido no Convento do Espinheiro, que foi uma grande Escola de Arte, parecia fazer sentido ter ficado sediado nesta cidade histórica o anunciado Instituto Ibérico de Investigação.
Mais uma vez o Alentejo fica a perder, pois o I.I.I. foi anunciado para a cidade de Braga, para gáudio do Presidente da edilidade, que já afirmou: “O Instituto Ibérico de Investigação anunciado para Braga no final da última Cimeira Luso-Espanhola vai gerar emprego de qualidade e arrastar consigo investimento privado em indústrias de alta tecnologia”. Esta é a esperança do Presidente da Câmara de Braga, que veio a público manifestar o seu agrado com “a melhor prenda de Natal que a cidade poderia receber”.
Mesquita Machado, que disse ter sido informado logo no sábado, por José Sócrates, conta com 30 milhões de euros para os custos de instalação e uma verba no mesmo valor para despesas de investigação anual. Por outro lado, aquele edil bracarense já afirmou que o Instituto vai ser um motor de criação de emprego de qualidade, sobretudo para os jovens licenciados e, ao mesmo tempo, vai dar origem ao aparecimento de empresas de alta tecnologia, tornando-se um pólo gerador de grande desenvolvimento, com um terço de investigadores portugueses, outro terço espanhol e os restantes sujeitos a oferta internacional.
Ainda que o Instituto Ibérico de Investigação seja uma mais valia para Portugal, é legítimo perguntar: que influência tem José Ernesto junto do Governo que nada resultou para a cidade desta Cimeira que não o alarido da passagem dos políticos e o forte dispositivo militar que foi montado. De resto, tudo o vento levou... e Évora fica sempre a perder!

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