Wednesday, April 12, 2006

 

Recordando um herói e Santo

Ocorreu no passado dia 2 de Abril, um ano da morte de João Paulo II. Como era de esperar o povo cristão não deixou passar em vão esta data. Por isso, a Praça de S. Pedro, no Vaticano, foi pequena para acolher a multidão que quis rezar e cantar, evocando aquele que foi um dos heróis do final do milénio e quiçá o primeiro Santo do século XXI.
As televisões de todo o mundo evocaram esta efeméride. A RTP que passou o filme sobre a vida do Papa Wojtyla, transmitiu também um excelente documentário da autoria da jornalista Aura Miguel e produção da RTP, que escreveu: Um Papa genuíno.
Para Aura Miguel, João Paulo II foi um Papa genuíno como escreve: “as imagens do sofrimento de João Paulo II, há precisamente um ano, continuam presentes na memória colectiva de milhões de pessoas. Especialmente marcante foi o dia 27 de Março de 2005, quando o Papa tentou dirigir-se à multidão no Domingo de Páscoa, sem conseguir articular uma única palavra.
Aura Miguel, jornalista da Renascença que acompanhou João Paulo II por todo o mundo, considera que os momentos que precederam, imediatamente, a morte de Karol Wojtyla são um exemplo da “coragem” que marcou este pontificado de 26 anos e meio. “Que político é que se arriscaria a aparecer à janela, como na Bênção ‘Urbi et Orbi’, em directo, com centenas de cadeias do mundo inteiro, sem conseguir falar?”, pergunta.
A resposta, assegura, está no facto de o Papa polaco ter sido “uma pessoa completamente despojada de qualquer desejo de sucesso humano, completamente livre”.
Nesta fase terminal, “quem mais se escandalizava eram os adultos, não os jovens”, com quem João Paulo II sempre teve uma relação especial. “Mesmo nas Jornadas Mundiais da Juventude que convocou, já doente, havia a adesão dos jovens, que nele reconheciam a autenticidade que queriam para a sua vida”, diz Aura Miguel.
A jornalista portuguesa lembra a paixão do Papa polaco “pelo destino do homem”. “Percebeu-se desde logo que ele iria viajar, percorrer o mundo, imitar São Pedro e São Paulo, como explicou na sua centésima viagem”, aponta, lembrando que o Papa Wojtyla sempre olhou cada pessoa na sua individualidade, mesmo perante as maiores multidões.
João Paulo II contactou de perto com todos os grandes líderes políticos dos finais do séc. XX, sem se deixar instrumentalizar, como recorda Aura Miguel. “Ele era um homem livre e arriscava”.
“Houve muitas tentativas das autoridades políticas para instrumentalizar as suas visitas, desde os extremos mais opostos, de Fidel Castro a Pinochet, mas João Paulo II foi sempre superior a isto. A sua prioridade era sempre confirmar na fé as pessoas que encontrava nessas realidades”, prossegue.
Ora, o longo pontificado do Papa polaco viu transformarem-se radicalmente as realidades sociais, políticas e económicas de todo o mundo. “As situações políticas mais complexas foram as que mais mereceram uma visita”, lembra.
Para Aura Miguel, estamos na presença de um líder que teve a coragem para “pressionar, provocar as autoridades quando o julgava necessário, com um objectivo muito maior do que o político”. João Paulo II, indica, arriscava mesmo contra a opinião de muitos dos seus conselheiros, como foi o caso do II Encontro inter-religioso em Assis, após os atentados do 11 de Setembro nos EUA.
Uma experiência marcante na vida do falecido Papa foi o atentado do 13 de Maio de 1981, o qual, segundo o próprio, o teria ajudado a compreender o sentido do sofrimento nos desígnios de Deus. “A maneira como João Paulo II abraçou tudo o que Deus lhe pedia foi uma grande lição para os que sofrem, sobretudo para a nossa sociedade ocidental que faz de conta que o sofrimento não existe”, ressalta a jornalista da Renascença.”

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