Thursday, June 22, 2006

 

Celebrar Abril

Às novas gerações, falar de Abril tem pouco significado. Mesmo quando os pais e avós falam da conquista da liberdade, da liberdade de expressão, igualdade de oportunidades, fim da guerra colonial... são factos que não falam às novas gerações.
Por outro lado, os indicadores que nos chegam do lado de lá, não são animadores. Portugal é o país da Europa em último, na cauda europeia, e o deficit externo continua a subir assustadoramente.
Por cá também não se vêem sinais de bom agoiro. Os impostos elevados, o desemprego crescente, a inflação a aumentar, escolas a fechar, serviço de saúde cada vez mais com difícil acesso, ensino pouco gratificante e um país dependente das ajudas da União Europeia e do exterior.
O Abril dos sonhos passou ao Abril da desilusão... Já lá vão 32 anos e não há uma luz ao fundo do túnel que nos alimente a esperança de dias melhores. Somos um país que destruiu a agricultura que tinha; com custos elevadíssimos para a pecuária; com uma indústria ultrapassada a não poder ir longe.
O pior é que reina o descontentamento nas novas gerações que não têm emprego, no poder judicial em vias de destruição, nas forças militares que foram banalizadas no seio da sociedade.
Não obstante, há valores que são perenes, como a liberdade, o fim da guerra colonial, a liberdade de expressão e só por isso evocamos Abril!

 

Deputados pouco exemplares

No passado dia 12 de Abril, 119 deputados faltosos impediram que houvesse votações na Assembleia da República por falta de quorum.
O governo já lhe dera tolerância de ponto para quinta-feira, dia 13 de Abril. Mas aqueles trabalhadores exemplares à nação, acharam que poderiam começar um dia antes e vai daí, zumba. Assinaram o ponto um dia antes e partiram para férias.
Isto fez com que apenas 111 dos 230 deputados estivessem no seu local de trabalho à hora da votação, que por conseguinte não se realizou já que são precisos pelo menos mais de metade dos deputados. Ora faltavam 13 por representação da A.R., os outros 107 (50 do PSD, 49 do PS, 5 do CDS/PP, 2 do PCP e 1 do BE) que fugiram às suas obrigações.
Este facto foi o escândalo da semana, pois alguns diplomas ficaram na gaveta mais algumas semanas. É um facto que cada deputado faltoso poderá perder 178 euros do magro salário, mas o que está em causa não são Euros, é a imagem de seriedade que deveria de vir dos parlamentares e que fica debilitada, muito àquem do que o Presidente Cavaco Silva advogou na sua tomada de posse “um código moral” quando falou na “necessidade dos políticos serem honestos, competentes e rigorosos” afirmando mesmo: “os agentes políticos têm de ser o exemplo de cultura de honestidade de transparência, de responsabilidade, de ética de serviço político”.
Rebelo de Sousa no seu comentário semanal na RTP1 também aludiu os deputados faltosos e disse ir saber quem faltou no distrito de Braga, prometendo não voltar a votar neles...
E dirá o povo: é por estas e por outras que cada vez mais, acreditamos menos, nos profissionais da política.

 

Os novos pecados

A Comunicação Social não tem o hábito de tratar os assuntos religiosos e quando apanham um tema que possa ter venda, quanto mais escandaloso, tanto melhor, começam todos a falar desse mesmo assunto, sem critérios e descontextualizado, dando origem a falsas interpretações.
A propósito de uma homilia de um cardeal, em que naturalmente o pregador apelava a um tempo de oração e de atenção aos filhos, que por vezes falta, sem que sejam capazes de cortar nas horas gastas a ver televisão ou a navegar na internet... e só neste contexto, o cardeal teria dito que isto é um dos pecados modernos, que o mesmo é dizer, que se trata de negligência para com os filhos ou de falta de atenção ou de tempo para Deus a Quem os cristãos devem dar o primeiro lugar. Neste contexto, só por ignorância ou má fé, se poderá alarmar uma sociedade com novos pecados, porque não há pecados novos mas diferentes situações. O pecado é demasiado velho e reside no coração das pessoas... Daí o pregador alertar ou lembrar para o demasiado tempo que se gasta com determinadas actividades em detrimento de outras que vão ficando para último... é uma forma pedagógica de ajudar quem quer estar atento ao que o rodeia e por ventura valorizar outras actividades, pois como diz a Bíblia, “ há tempo para tudo na vida...”
Quando fui despertado para esta questão dos pecados novos, logo me veio à memória uma poesia que li há tempos, em que uma criança fazia a sua oração, pedindo a Jesus para que ela fosse uma televisão, para os pais lhe darem alguma atenção, como davam ao aparelho... Acha que é na televisão que está o pecado ou é na nigligência dos pais?
E quando a Igreja dá graças a Deus, por toda a maravilha da técnica – jornais, rádio, televisão, satélites, internet... como se pode ler na Inter Mirifica e quando o próprio Papa utiliza estes meios e apela ao seu bom uso, como dizer que utilizá-los é pecado? O pecado está no descontrolo da utilização dos meios... ou será que é edificante ver todo o dia televisão e navegar na internet e faltar ao trabalho ou não ter dinheiro para pagar o telefone que usei mal, não é um descontrolo humano, por isso um desequilíbrio algo anormal?
Deste jeito se conclui que não há novos pecados, mas situações diversas, também fruto da modernidade a que há que estar atento.

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