Thursday, October 19, 2006

 

O Dia Mundial das Missões celebra-se a 22 de Outubro, com o tema “O amor, fonte da Missão”

A revolução na Missão

Com este título publicaram os associados de Missão Press um artigo de Heribert Bettscheider e Jorge Fernandes, missionários do Verbo Divino, que lembram o papel decisivo de Paulo VI, ao publicar em 1965, a 7 de Dezembro, o decreto Ad Gentes, sobre a actividade missionária da Igreja.
Transcrevemos, em função do Dia Mundial das Missões e pela admiração que nos merece toda a missão e os seus agentes, alguns extractos:
“O tema das Missões ocupou uma das dez comissões preparatórias do Concílio Vaticano II. Depois de muitas reuniões, o resultado foi um texto muito jurídico, com sete capítulos, em que a preocupação principal não era teológica, mas administrativa. O rascunho não tomava em consideração as muitas questões de ordem prática, ou seja, as questões levantadas pelas próprias missões. A Comissão dedicada ao tema foi constituída logo no princípio do Concílio – que oficialmente teve início em Outubro de 1962, mas cujos trabalhos preparatórios duravam desde Janeiro de 1959 e só viriam a ser dados como encerrados em Dezembro de 1965. Porém, os avanços não foram grandes e muito menos rápidos. Alguns padres conciliares chegaram mesmo a propor que se incluísse o tema na Constituição sobre a Igreja. Na Comissão havia divergências notáveis.”
O Pe. Manuel Augusto Lopes Ferreira, insere na Revista Além-Mar de Outubro de 2006, um texto que intitulou “um documento para os novos tempos”, que se pode ler: “O decreto Ad Gentes do Vaticano II sobre a «Actividade Missionária da Igreja» oferece uma visão teológica e mantém a missão ligada à sua fonte divina, enraizada no plano de Deus (Missio Dei), decorrente da missão do Filho como seu modelo, e mais atenta à presença e acção do Espírito Santo. Depois, o documento abriu caminho para um protagonismo mais das Igrejas locais, tanto a Norte como a Sul. Estas cresceram mais na sua consciência missionária e passaram a responsabilizar--se mais nas iniciativas missionárias. O documento, ao favorecer a centralidade da missão na vida das Igrejas, favoreceu o regresso da missão às Igrejas locais.
Para além do mais, o documento abriu caminho ao compromisso dos leigos na missão universal. A colaboração missionária passou a ser vista prevalentemente como intercâmbio de pessoas e recursos humanos e não como partilha de recursos económicos e outros. E o documento também favoreceu e preparou a reflexão sobre a inclusão das iniciativas de promoção humana como parte integrante da missão evangelizadora da Igreja. Nesta linha, tornou possível a reflexão, que amadureceu posteriormente, sobre as questões culturais mais relevantes para a missão, como a promoção da justiça e da paz, a defesa da criação, bem como a promoção do diálogo e a colaboração entre os povos, as culturas e as religiões.
Neste sentido, o Ad Gentes esteve na linha dos dois grandes documentos do Vaticano II que mais anteciparam as questões do nosso tempo - os documentos sobre a Igreja, Lumen Gentium e Gaudium et Spes, que inspiram os processos de transformação eclesial que mais haveriam de influenciar a missão cristã no fim do século XX.”
Estamos a viver o mês das Missões; se é importante ir ao passado como marco de uma sensibilidade missionária, não é menos importante que a sociedade de consumo de hoje seja solidária para ajudar aqueles que dão a cara mas que por vezes lhes faltam os meios.
S.

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