Thursday, November 30, 2006

 

O Papa visita a Turquia

Bento XVI vai peregrinar de 28 de Novembro a 1 de Dezembro até à Turquia. Trata-se da segunda viagem fora do Vaticano, desde que foi eleito.
Não tem sido nada favorável essa deslocação. Desde logo, pelos conflitos levantados aquando das declarações de Bento XVI na Universidade da Alemanha, que enfureceram os muçulmanos, depois porque este país, que foi evangelizado pelo Apóstolo Paulo e onde o cristianismo chegou a ser a religião oficial, é agora uma Nação islâmica apesar de aí viverem várias comunidades cristãs ortodoxas, católica-caldeia, católica-arménia e sírio-católica, contudo, com uma expressão apenas de cerca de 5% da população, que chegara a ser cerca de 30% no início do século XX.
Apesar de toda a tradição deste país, que faz a ligação à Ásia, já que foi lá que se realizaram os primeiros Concílios da Igreja (Niceia, Constantinopla, Éfeso e Laodiceia) e por lá passaram os Apóstolos, a Turquia de hoje é bem diferente e domingo passado houve mesmo milhares de turcos que se manifestaram contra a visita do Papa, não obstante Bartolomeu I, Patriarca ecuménico de Constantinopla e chefe da Igreja grega em todo o mundo, ter convidado os turcos a receber bem Bento XVI, com estas palavras: “o Papa tem influência no mundo. Não é uma personalidade que se deva tratar com ligeireza. Devemos fazer tudo para que esta visita seja um êxito” e acrescentou: “se não fizermos, será negativo para a imagem da Turquia, no momento em que queremos entrar na União Europeia”.
Bem diferente é a posição do Papa que nada tem a ver com a política, integração ou não da Turquia na União Europeia, tratando-se de uma viagem apostólica e de uma visita a Bartolomeu I, afirmando que a sua visita será um estímulo para o restabelecimento da plena comunhão entre católicos e ortodoxos, apesar ainda do longo caminho a percorrer.
Seja como for, Bento XVI manifesta que apesar dos temerosos não aconselharem a ida do Papa a um país muçulmano, nada o demoveu do desejo de fazer esta viagem ecuménica, que necessariamente terá reflexos futuros entre católicos e ortodoxos, para a concretização do desejo de Jesus: “que todos sejam um”.

Thursday, November 23, 2006

 

Évora, Património da Humanidade

Remonta a 1986 quando a UNESCO inscreveu a cidade de Évora como Património da Humanidade.
Com este gesto a UNESCO reconheceu a monumentalidade da cidade de Giraldo e premiou a persistência, o carinho e a vigilância com que muitos alentejanos e amigos de Évora sempre olharam para esta que viria a ser tida como a cidade mais limpa do país ou a cidade museu, como era reconhecida.
O tempo passou e Évora não resistiu às vicissitudes do tempo moderno. O abuso da publicidade exterior, a utilização do ferro e do alumínio, as cores pouco criteriosas, substituindo a cal, que
não o branco e ocre, bem o excesso de cimento quer dentro quer fora das muralhas, têm descaracterizado um pouco esta herança secular que nos foi legada.
Apesar de tudo, Évora é uma referência. E quem nos visita fica sensibilizado pela sua monumentalidade, ruas medievais, arquitectura própria e característica desta zona micro climática, onde as referências aos povos que aqui passaram são ainda notórias.
Neste ano de 2006 estão a decorrer as comemorações desta efeméride, com um diversificado programa que culminará com uma sessão solene no dia 25 de Novembro às 11h, nos Paços do Concelho com convidados de honra, marca o momento forte das comemorações com um vasto programa agendado a saber: lançamento da revista, “A cidade de Évora”; concertos; exposições; colóquios; recitais; mesas redondas sobre “Património e Cidade”; conferências; teatro; lançamento de uma revista e um vinho especial “Évora, Património da Humanidade”...
Évora, produto do querer de muita gente do passado, exige do presente uma particular atenção para continuar a merecer o título de “Património da Humanidade”.

S.

 

A seara

A propósito da Semana dos Seminários, D. António Vitalino, Bispo de Beja, faz uma reflexão muito curiosa. Diz o Prelado que meditou o Evangelho de Mateus 9, 35-37 e tentou transpô-lo para a realidade da sua Diocese e questiona-se se temos seguido os conselhos de Jesus.
“1. Percorrer montes, aldeias e cidades – Em primeiro lugar, é preciso pôr-se a caminho, ir ao encontro dos lugares onde vivem e trabalham as populações alentejanas. Não podemos ficar sentados nas nossas sedes, parados nas nossas casas e lugares, mas temos de ir ao encontro das pessoas, das famílias, muito especialmente daqueles que não vêm ter connosco, sobretudo as crianças, os idosos, os doentes, os que vivem isolados e solitários nos montes alentejanos.
2. Anunciar a Boa Nova do Reino de Deus – Jesus anunciava por toda a parte a boa notícia da salvação para todos. Ele era portador da mensagem do amor de Deus por todas as criaturas, de modo especial pelas mais débeis, como são os pobres, as crianças e os doentes.
3. Encher-se de compaixão – Ao ver as multidões, que eram como um rebanho sem pastor, esfomeadas de pão e de amor, Jesus comove-se, enche-se de compaixão e toma algumas iniciativas, passando da constatação à acção. A seara é grande, as pessoas esfomeadas são multidão, os trabalhadores da seara são poucos, a seara está quase abandonada, deixando naquele que ama a sua seara um sentimento de profunda tristeza, que se compadece e procura soluções para mudar a situação.
A compaixão autêntica que brota do amor misericordioso torna-nos criativos, faz-nos procurar respostas em todas as direcções, quer junto do dono da seara quer junto daqueles que já se encontram a trabalhar na vasta seara. Podemos dizer que a via para resolver os problemas parte do olhar com amor, compaixão e realismo a realidade. É o primeiro passo da famosa trilogia da acção católica: ver, julgar e agir. Então o que faz Jesus e nos manda também fazer, a nós que já nos encontramos quase perdidos e desanimados na vastidão da messe?
4. Pedi ao Senhor da Seara – O princípio da acção para quem sabe que não é dono da seara e tem consciência de que nada pode fazer, se do alto não lhe vier a energia, consiste em implorar ao Senhor da messe para que envie mais operários. Isso não significa que Ele não o saiba já. Mas Ele quer pôr-nos à prova, quer ver se nós, os poucos que já estamos em campo, desejamos verdadeiramente outros companheiros e colaboradores ao nosso lado.”
Esta reflexão do Prelado da diocese vizinha veio direitinha à minha casa onde recebo o jornal da- quela Diocese. E senti-a tão rica e tão directa, numa linguagem tão simples e actual que tomei a liberdade de a transcrever, na certeza de que o objectivo é o mesmo e a realidade geográfica também. Estamos no Alentejo onde é preciso situarmo-nos no seu contexto socio-económico, onde também há, de certo, jovens vocacionados.
Se há menos vocações a chegar ao fim, provavelmente a razão está no ponto 4: “Pedi ao Senhor...”
É com toda a preocupação pela evangelização neste Alentejo mas também com toda a confiança na Palavra do Senhor, que pedimos aos nossos leitores uma oração muito especial pelos seminários – mandai-nos bons sacerdotes capazes de percorrer muitas aldeias e cidades...
S.

 

Mediatismo na PSP

Há dias, com grande aparato, a PSP de Lisboa montou uma operação à entrada/ saída de Lisboa, para ver como era feito o transporte das crianças. Até aí tudo bem...
Só que a pouco e pouco, começam a levantar autos aos condutores das viaturas, porque não era cumprida a lei – ora porque o menino ainda não tinha 1 metro e tal, ou porque a idade era inferior, ou porque a cadeirinha estava mal segura, ou porque o cinto tinha de passar por baixo das pernas e não pela barriga, etc, etc...
No meio de tanta confusão, retive um pobre pai lamentando-se que só tem um carro de dois lugares e ao sair de casa tem de trazer a mãe e a criança, por isso este vinha ao colo da mãe. E zás!
Bem sabemos que dura lex sed lex. Mas pergunta-se à PSP se não poderia desempenhar um papel mais pedagógico? Quando há carradas de assaltos todos os dias, muitos deles por ausência total de forças de segurança que apenas se passeiam de carro quase sempre pelas mesmas artérias; quando há tantos cadastrados e criminosos à solta; quando há tantos ladrões à solta; quando há tanta gente ilegal e delinquentes sem trabalho, utilizando todos os meios para sobreviver; quando há tanta gente com medo de sair de casa porque ninguém os protege, porque será que a parte de lobo mau da PSP recai sempre sobre os automobilistas?
Não queremos a imagem do “papão” doutros tempos para os homens que nos devem proteger e que também eles são vítimas de violência... Mas provavelmente precisamos de mais forças militarizadas na rua que nos defendam. E a questão dos carrinhos e de segurança no transporte para a escola, que não deve ser abandonada, poderá ter outro tratamento mais pedagógico e menos mediático.
S.

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