Thursday, November 23, 2006

 

A seara

A propósito da Semana dos Seminários, D. António Vitalino, Bispo de Beja, faz uma reflexão muito curiosa. Diz o Prelado que meditou o Evangelho de Mateus 9, 35-37 e tentou transpô-lo para a realidade da sua Diocese e questiona-se se temos seguido os conselhos de Jesus.
“1. Percorrer montes, aldeias e cidades – Em primeiro lugar, é preciso pôr-se a caminho, ir ao encontro dos lugares onde vivem e trabalham as populações alentejanas. Não podemos ficar sentados nas nossas sedes, parados nas nossas casas e lugares, mas temos de ir ao encontro das pessoas, das famílias, muito especialmente daqueles que não vêm ter connosco, sobretudo as crianças, os idosos, os doentes, os que vivem isolados e solitários nos montes alentejanos.
2. Anunciar a Boa Nova do Reino de Deus – Jesus anunciava por toda a parte a boa notícia da salvação para todos. Ele era portador da mensagem do amor de Deus por todas as criaturas, de modo especial pelas mais débeis, como são os pobres, as crianças e os doentes.
3. Encher-se de compaixão – Ao ver as multidões, que eram como um rebanho sem pastor, esfomeadas de pão e de amor, Jesus comove-se, enche-se de compaixão e toma algumas iniciativas, passando da constatação à acção. A seara é grande, as pessoas esfomeadas são multidão, os trabalhadores da seara são poucos, a seara está quase abandonada, deixando naquele que ama a sua seara um sentimento de profunda tristeza, que se compadece e procura soluções para mudar a situação.
A compaixão autêntica que brota do amor misericordioso torna-nos criativos, faz-nos procurar respostas em todas as direcções, quer junto do dono da seara quer junto daqueles que já se encontram a trabalhar na vasta seara. Podemos dizer que a via para resolver os problemas parte do olhar com amor, compaixão e realismo a realidade. É o primeiro passo da famosa trilogia da acção católica: ver, julgar e agir. Então o que faz Jesus e nos manda também fazer, a nós que já nos encontramos quase perdidos e desanimados na vastidão da messe?
4. Pedi ao Senhor da Seara – O princípio da acção para quem sabe que não é dono da seara e tem consciência de que nada pode fazer, se do alto não lhe vier a energia, consiste em implorar ao Senhor da messe para que envie mais operários. Isso não significa que Ele não o saiba já. Mas Ele quer pôr-nos à prova, quer ver se nós, os poucos que já estamos em campo, desejamos verdadeiramente outros companheiros e colaboradores ao nosso lado.”
Esta reflexão do Prelado da diocese vizinha veio direitinha à minha casa onde recebo o jornal da- quela Diocese. E senti-a tão rica e tão directa, numa linguagem tão simples e actual que tomei a liberdade de a transcrever, na certeza de que o objectivo é o mesmo e a realidade geográfica também. Estamos no Alentejo onde é preciso situarmo-nos no seu contexto socio-económico, onde também há, de certo, jovens vocacionados.
Se há menos vocações a chegar ao fim, provavelmente a razão está no ponto 4: “Pedi ao Senhor...”
É com toda a preocupação pela evangelização neste Alentejo mas também com toda a confiança na Palavra do Senhor, que pedimos aos nossos leitores uma oração muito especial pelos seminários – mandai-nos bons sacerdotes capazes de percorrer muitas aldeias e cidades...
S.

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