Thursday, January 18, 2007

 

Revisitar o Império

Se há coisas que os portugueses não gostam de falar é do seu passado, do Império que tiveram posse, como se envergonhassem da epopeia que Camões se orgulhou de cantar.
Mentalidades mais ou menos complexadas, afastaram das escolas, dos programas tele- visivos e das conversas de amigos, os feitos que tanto orgulharam os nossos antepassados.
Visitar as ex-colónias, dá dó ver como a cultura portuguesa está abandonada e os marcos lusos vão desaparecendo com o tempo.
Da Índia Goa, Damão e Dio serve o facto de ainda haver muitos indianos com interesse pela língua de Camões e, sobretudo em congressos internacionais, não se inibem de se aproximar dos portugueses e lhes fazerem mil e uma pergunta acerca desta Cultura tão presente ainda no Oriente...
De Macau, fica a lembrança da entrega daquela cidade a Pequim, numa cerimónia única e onde as lágrimas chinesas ajudaram a crescer o rio das Pérolas, por onde as velhas naus portuguesas navegaram até à cidade do Santo Nome de Deus...
Esta semana o Presidente da República seguiu para a Índia com um grupo de portugueses, levando na mira as trocas comerciais e o investimento industrial... A mesma motivação vai levar José Sócrates à China com passagem por Macau. Não sabemos o que vai estar na agenda dos estadistas. É de esperar que mais do que um tratado de negociação de extradição, haja implemento cultural quanto baste, para que a cultura lusa não desapareça daquelas terras onde homens valentes chegaram, quer por interesses económicos, quer para aumentar o império, ou mesmo para difundir a fé cristã... E o mesmo se diga da passagem do Primeiro-Ministro por Macau.
E já agora, porque não se entra em diálogo também acerca de Olivença, a mancha negra das relações diplomáticas luso-espanholas, que continua por ser resolvida, se bem que na prática já decidida.
S.

 

Surpresa

Numa Eucaristia em que participei, por estar no fim de ano, uma cristã pediu se podia dar um pequeno testemunho.
No final, dirigiu-se à Assembleia nestes termos: “1.º - Hoje faço anos e só há pouco tempo entendi que temos de estar sempre preparados para a morte; 2.º - Estou feliz porque a minha filha casou há três anos e não engravidava. E há tempos foi a família toda a Fátima e, de lágrimas nos olhos, pedi a Nossa Senhora de Fátima – Tu que foste Mãe, faz que a... também o venha a ser; 3.º - Deus concedeu-nos esta graça e na primeira ecografia que a minha filha fez, via-se o bater do coração do feto. Então entendi que a vida é desde a concepção e compreendi a posição da Igreja face ao aborto...”
Estas palavras sensibilizaram-me. Já por virem de quem tem compromissos políticos e partidários, já por serem espontâneas e inesperadas.
A juntar a este testemunho, enquanto pedalava numa bicicleta no ginásio, um dos monitores falava com uma pessoa ao lado e declarava: estou contra a execução de Saddam Hussein. A vida não nos pertence, por isso, não a podemos tirar, ainda que ao maior ditador. E sou sobretudo contra o aborto, a morte de uma criança inocente, sem defesa sequer da própria mãe...
Captei estas duas mensagens. E eu que entendi, por estar em tempo de Natal que não deveria ainda falar do referendo ao aborto, levei estas duas “bofetadas” para perder a cobardia e dizer definitivamente Não ao aborto! Afinal é a vida de um inocente indefeso e, como dizia este jovem do segundo testemunho, a vida não nos pertence!...
Sei que há que criar condições para as mães que o são sem condições para tal.
Sei que a nossa sociedade tem de uma vez por todas deixar de criar políticas ao seu jeito, para dar condições de plena liberdade às mães que também o querem ser.
Não é fechando Centros de Saúde e Escolas e criando clínicas abortivas que se dão essas condições.
Por isso, há muito para mudar nas mentes e na sociedade portuguesa!
S.

 

Um novo ano

Que seja um ano de esperança!

Como quando uma Mãe dá à luz uma criança, este ano de 2007 que acaba de nascer enche-nos de alegria e de esperança.
É verdade que a vida não está fácil para ninguém e as desgraças quotidianas são cada vez maiores. Mas ainda assim, os cristãos, pessoas de esperança, têm de olhar à sua volta, ler os sinais e acreditar que o Senhor da História não abandona a barca...
Há sinais muito negros à nossa volta, é verdade. Mas há também coisas lindas como o sorriso de uma criança que a todos deixa enternecidos. Este Natal foi preocupante
pelo consumismo exagerado que se verificou. O desemprego teima em não baixar, a inflação continua a subir, a Escola continua sem rumo, a Justiça tarda a chegar, a Saúde está caótica e o nível de vida parece não melhorar...
Pensamos que, tal como em Israel quando caía a desgraça apareciam os Profetas a animar aquele povo e a avivar a sua fé, também hoje, nesta contextualização concreta há que abrir o coração ao outro, dar as mãos aos que mais precisam do que nós e em espírito solidário e confiante, acreditar que Deus nunca abandona o seu povo. E assim estão criadas as condições para acreditar que o amanhã será melhor!

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